quinta-feira, 7 de junho de 2012

DICIONÁRIO FUTEBOLÍSTICO


A

 Abrir a caixa de ferramenta - Investir violentamente de chuteiras sobre um adversário sem bola.


Abrir o jogo - 1. Mudar o jogo para as laterais. 2. Atacar pelas extremidades. 3. Demonstrar desinteresse. 4. Facilitar aproximação e entendimento por meio de suborno.



Aceitar de longe - Deixar passar para o interior da meta a bola chutada de longe.



Afastar curtinho - Desviar a bola com um leve toque.



Agasalhar a criança - Defender a bola, encaixando-a firmemente nos braços.



Ala - Expressão introduzida pelo técnico Sebastião Lazaroni da Seleção Brasileira, na Copa de 90. Quer dizer lateral, isto é, o jogador que atua pelos lados.



Alambrado - Cerca de fios resistentes de arame, alta para separar o campo do público; aramado.



Alugar o passe - Transferir por tempo certo o próprio atestado liberatório a clube interessado, desde que seja o jogador proprietário do passe.



Amistoso - Jogo não-oficial, em que não há contagem de pontos.



Animal - 1. Açougueiro. 2. Jogador de temperamento difícil, que agride verbal e fisicamente os adversários e estranhos aos jogos.



Apanhar da bola - Levar bolada no corpo sem ter conseguido dominar o lance. 2. Mostrar dificuldade no trato da bola.



Armador - Jogador cuja função é organizar lances de ataque a partir do meio campo. Nessa posição, atleta também é chamado de apoiador.



Arranhar a trave - Raspar na trave.



Arrumar a casa - Reformular taticamente o time (O treinador) no intervalo da partida.

B

Banheira - 1. Posição irregular de um jogador na grande área, sem adversário pela frente, a não ser o goleiro, no momento em que a bola lhe é lançada: está na banheira; "off side", impedimento, fora de jogo (em Portugal). 2. Jogador que costuma ficar na espera, perto da meta adversária para fazer gol com facilidade: foi a maior banheira do campeonato.


Barreira - Obstáculo formado por um grupo de jogadores que se organiza em linha, a 9,15 m do local da infração para dificultar o chute em benefício do goleiro.



Becão - 1. Zagueiro forte e competente. 2. Zagueiro extraordinário, que tranqüiliza o time.



Bicho - 1. No passado, quando do amadorismo, estímulo em dinheiro dado a jogadores de modesta condição social. 2. Remuneração extracontratual a jogadores de um time por vitória ou empate. 3. Recompensa em dinheiro a titulares, reservas e comissão técnica, de clube ou seleção, pela conquista de torneio ou campeonato. 4. Prêmio em dinheiro. 5. Jogador que é a estrela do time e a garantia do bicho.



Buscar serviço - Correr para onde a bola está e disputar o seu controle.

C

Cabeça de área - 1. O jogador de meio campo, viril e decidido na disputa de bola, que protege a zaga e oferece o primeiro combate à ofensiva do adversário. 2. Jogador que, na antiga formação do time, atuava entre os laterais direito e o esquerdo: centromédio.


Caixinha de surpresas - Futebol, esporte em que tudo pode acontecer, até fatos inimagináveis.



Carimbar - 1. Atingir, com a bola, juiz, companheiro ou adversário. 2. Estourar a bola, com violência, num dos paus da baliza.



Carrinho - Forte impulso dado pelo jogador ao próprio corpo, sentado ou quase deitado na grama, como se usasse um rolimã, cujo lance eventualmente faz com que o adversário perca o domínio da bola.



Cartola - 1. Dirigente de um clube ou de federação, liga ou confederação. 2. Ex-dirigente que continua a exercer influência nas decisões de cúpula. 3. Símbolo do Fluminense Futebol Clube (RJ).



Catimba - Malandragem durante a partida sob diversas formas, para envenenar o adversário ou para obter proveito com a marcação, pelo juiz, de infração inexistente ou até gol feito ilicitamente. 2. Prática de jogo caracterizada pela violência ou pela abundância de infrações com paralisações freqüentes, chutões pela lateral, demora na cobrança de falta: antijogo. 3. Bruxaria destinada a atrair malefícios para um clube ou jogador.



Chapéu - 1. Lance em que o jogador eleva a bola sobre um adversário e a recupera às suas costas. 2. Igual tipo de jogada, para um companheiro melhor colocado em relação ao gol do adversário.



Clássico - 1. Confronto entre clubes de primeira linha. 2. Jogo entre clubes rivais por tradição.



Cobertura - Proteção a companheiro, facilitando-lhe a sua investida para o gol adversário: dar cobertura.



Colocada - Bola colocada à feição dentro do gol, com malícia e precisão.



Conferir - 1. Correr atrás da bola aparentemente perdida na tentativa de ter a posse dela. 2. Avançar para o goleiro quando ele praticamente agarrou a bola, na expectativa de que a solte: pagar para ver.



Cruzamento - Lançamento de bola, de média ou longa distância, de uma das laterais para a grande área.

D

Dar um passeio - Demonstrar supremacia absoluta sobre o adversário numa partida, com troca de passe e jogadas de efeito, sem a preocupação de fazer mais gols.


Defender o leite das crianças - Receber gratificação em dinheiro, do clube, ou de seleção por vitória ou por empate sobre outro time: ganhar um bicho.



Desarmar - 1. Apoderar-se de bola dominada por adversário. 2. Perdê-la para jogador de outro time.



De trivela - Chute com a face externa do pé para imprimir efeito de curva à bola ("de três dedos").



Drible da vaca - Modalidade de drible em que o jogador lança a bola por um lado do adversário e corre pelo outro para recuperá-la adiante.

E

Ela - A bola.


Eliminatória - Partida que desclassifica o time do torneio ou do campeonato.



Encher o pé - 1. Chutar a bola com vigor . 2. Chutar a bola violentamente para o gol.



Ensebar - 1. Prender exageradamente a bola, em prejuízo do próprio time. 2. Fazer cera para o tempo do jogo passar.



Entregar a rapadura - Desistir de ação na partida.



Espirrada - Desvio súbito que a bola sofre por ter sido chutada com imperícia ou por haver tocado em qualquer jogador.

F

FIFA - Federation International of Football Association, fundada em 1904 pela França, Holanda, Bélgica, Suíça, Espanha, Dinamarca e Suécia. Sigla do órgão que congrega os países a ele filiados e que edita normas do jogo estabelece punições.


Firula - Jogada de efeito para a torcida e para a televisão, sem resultado prático no rendimento da partida.



Futebol soçaite - Modalidade praticada em campos de reduzidas dimensões, com número reduzido de participantes para cada time.



Futevôlei - Recreação que envolve certo lances do futebol e do vôlei, em que os jogadores não podem tocar a bola com a mão ou braço, mas com os pés, os ombros, o peito e a cabeça.

G

Gol cavado - O que é conseguido à custa de grande empenho pessoal do autor.


Gol de morrinho - Gol em que a bola, antes de entrar no gol, passa por saliência do gramado, enganando o goleiro.

H

Homem base - O jogador que, na formação ou barreira, se posiciona numa das extremidades dela, dependendo do local da cobrança da falta - no geral, um pouco além do ângulo de visão do goleiro ao encostar na trave para evitar que um chute em curva o surpreenda, passando pelo lado.


Homem-gol - Artilheiro. 

I

Infiltração - Penetração veloz por mínimos espaços da linha defensiva adversária.


Inversão de jogo - Lançamento de uma lateral para a outra.



Ir por cima da bola - Atingir deslealmente a perna do adversário, pelo alto, em posição mais elevada que o percurso da bola.

J

Jogador pendurado - O que tomou o segundo cartão amarelo. Recebendo o terceiro, terá suspensão automática


Jogar de salto alto - Jogar preocupado em não se machucar nem cometer infração.

L

Liquidar a fatura - Vencer um jogo.


Luva - Peça do vestuário do goleiro que protege suas mãos.



Luvas -Soma em dinheiro para o jogador e o treinador na ato da assinatura do contrato.



Liquidar a fatura - Vencer um jogo.



Luva - Peça do vestuário do goleiro que protege suas mãos.

M

Mala - O cartola, ou seu preposto, que carrega mala com dinheiro em espécie para premiar o time com bicho extra nas excursões internacionais.


Mando de campo - 1. O exercido por um clube ao atuar no próprio estádio ou cidade que tem sede. 2. O exercido por time, em jogo internacional, no país de origem.



Marcação cerrada - A que é feita por um time, de perto ou em bloco.



Marmelada - Arranjo entre dirigentes e jogadores , ou conluio entre eles para fraudar resultado de uma partida.



Máscara - Dissimulação de simplicidade de um jogador de primeira linha, ocultando a vaidade, petulância e empáfia.



Matador - Goleador de peito forte que não teme confronto, que afasta marcadores e rompe caminho na investida para o gol.



Média de gols - Operação aritmética que resulta da divisão de gols conquistados por um clube ou seleção pelo número de partidas disputadas.



Melar o jogo - 1. Acabar a partida antes do tempo normal por grave perturbação da ordem. 2. Tumultuar o jogo com provocações e lances violentos.



Meter - 1. Passar a bola. 2. Completar o lance e fazer gol.



Misto - Time formado por alguns titulares e enxertado de reservas e de juniores; quando o time principal tem outro compromisso mais conveniente para o clube.



Morrinho artilheiro - Calombo de terra ou grama no qual q bola resvala e entra no gol.



Morte súbita - Gol de morte súbita: "O comitê técnico da FIFA resolveu ontem que a morte súbita (ou gol de ouro) decidirá as partidas que terminarem empatadas nos 90 minutos regulamentares a partir das quartas-de-final (...)."

N

Na raça - 1. À custa de ação extra-esportiva: lance ganho não por habilidade técnica, mas por violência na disputa. 2. Partida vencida por esse modo: no peito, na marra, no grito, na saúde. 3. Marcação de falta


Na sobra - Aproveitamento e domínio de bola espirrada ou que tenha escapado de outro jogador.



Não achar - Esforça-se para interceptar a bola e não alcançá-la.



Não perder a viagem - Ir buscar a bola longe que está em poder do adversário e conseguir recuperá-la e dominá-la.



Não ter intimidade com a bola - Demonstrar dificuldade no trato com a bola.



Não ter pegada - Faltar vontade ao jogador.



No ângulo - Num dos ângulos superiores da meta, por onde a bola entra vazando o goleiro.



No grito - 1. A custa de ação extra-esportiva: lance ganho não por habilidade técnica, mas por violência na disputa. 2. Partida vencida por esse modo: no peito, na raça, na marra, na saúde.



Nó no marcador - Giro ou volta com a bola dominada em torno do adversário para livrar-se da marcação e avançar.



Numerada - 1. Assento individual no estádio, com ampla visão de campo.

O

Ofensiva - Ataque de um time objetivando fazer gol.


Oitavas-de-final - Etapa de classificação por eliminação de perdedores em que dezesseis clubes buscam credenciar-se para as fases seguintes.

P

Padrão tático - Sistema que o técnico implanta no time, definindo o entrosamento dos seus três blocos (defesa, meio campo e ataque), estabelecendo posições e deslocamentos básicos.


Pagantes - Público dos estádios que paga ingresso.



País sede - Aquele que, por decisão da FIFA, organiza e é sede da Copa e outros torneios.



Pagar para ver - 1. Ir atrás da bola aparentemente perdida. 2. Correr para o goleiro no momento em que ele defende a bola, na expectativa de que a solte.



Paredão - 1. Barreira . 2. Ótimo goleiro. 3. Proteção dada com o corpo ao goleiro para impossibilitar que um adversário pegue a bola.



Passe - 1. Lance em que o jogador serve a bola a um companheiro. 2. Atestado liberatório firmado pelo detentor dos direitos sobre um jogador.



Passe livre - Transferência para outro clube negociada pelo próprio jogador por ser o dono do seu passe.



Paulistão - O Campeonato Paulista da primeira divisão do profissional.



Pé de apoio - A perna desajeitada para chutar, que só serve de apoio.



Pegar de calça curta - Surpreender o adversário numa ofensiva inesperada, com atacantes em número maior que defensores.



Pegar mal na bola - Resvalar a bola na chuteira por imperícia de outro jogador.



Pegar por baixo - Impulsionar a bola parada pela parte inferior dela, fazendo-a descrever trajetória errada, geralmente para o alto: pegar em baixo.



Pelada - 1. Jogo bruto inspirado no futebol de campo, de número incerto de jogadores, praticado em campo acanhado e de terra. 2. Partida pobre em técnica e violenta.



Pendurado - 1. Diz-se do jogador que tomou o segundo cartão amarelo, o terceiro determinando suspensão automática de uma partida. 2. Diz-se do clube na iminência de eliminação de um campeonato.



Pendurar as chuteiras - Abandonar o futebol profissional, aposentar-se formal ou informalmente dele.



Peneira - Seleção que a são submetidos candidatos do plantel de time grande indicados por olheiros de peladas e de jogos do subúrbio ou do interior. 2. Goleiro que deixa passar bolas fáceis: frangueiro e pateiro.



Placar - 1. Resultado de um jogo expresso em gols. 2. Painel existente em certos estádios para registrar os gols marcados.



Pontuação - Pontos ou gols de cada time numa partida. 2. Pontos conquistados por um clube num campeonato.



Por lá dentro - Fazer gol.



Prender o jogo - 1. Interromper o jogo apontando faltas sucessivas. 2. Praticar ação proposital ou não que ocasione interrupções freqüentes da partida: amarrar o jogo.



Prorrogação - Tempo adicional fixado em regulamento do campeonato, geralmente de 30 minutos em dois tempos de 15, para a definição do ganhador.

Q

Quadrangular - Na decisão de um campeonato cujo regulamento assim estabeleça rodízio de jogos entre quatro clubes.


Quartas-de-final - Etapa de classificação de torneio ou campeonato, por eliminação de perdedores, em que oito clubes ou seleções procuram passar para a fase seguinte.



Quebra o jejum - 1. Interromper uma seqüência de campeonatos, ou jogos, perdidos.



Quicada - Ato ou efeito de a bola pular ou quicar.

R

Raça - Ímpeto, bravura, determinação de vencer o jogo.


Rachão - Partida de profissionais que, em dado momento, cai de nível, sem preocupação técnica e tática.



Rebaixamento - Descida de um clube para divisão inferior em decorrência de sua classificação.



Reserva - 1. Jogador que pode ser escalado para determinada partida, substituindo o titular contundido, suspenso ou sem condições técnicas.



Retranca - Tática que consiste na defesa em bloco para exploração de contra-ataques.



Retranqueiro - 1. Técnico partidário da retranca. 2. Time que pratica essa tática.



Rixa - Desavença entre clubes rivais por determinada causa. 2. Desavença entre jogadores.

Rodada - Série de jogos entre disputantes de torneio ou campeonato.
Saldo de gols - Fórmula para desempatar clubes em igualdade de pontos, levando a melhor o que registrar diferença maior entre gols feitos e gols tomados.

S

Segurar o jogo - 1. Fechar-se na defesa, tentando garantir o resultado conveniente para o time. 2. Garantir o placar mediante artifícios para que o adversário não se aposse da bola.


Súmula - Documento elaborado pelo juiz, reportando as ocorrências da partida e destinado à entidade promotora do jogo.



Sururu - Confusão na pequena área, quando jogadores se amontoam, querendo uns fazer gol e outros tentando evitá-lo.

T

Tabela - 1. Quadra de jogos de torneio ou campeonato. 2. Troca de passes em avanço para o gol de dois ou mais jogadores.


Tapetão - A justiça desportiva.



Ter pernas - Correr no jogo sem parar.



Torcida organizada - Grupo de torcedores de um clube que se organiza legalmente, com estatuto, sede, diretoria, bandeira e uniforme próprios.



Totó - Passe curto, dado levemente com a face da chuteira. 2. Chute fraco.



Tungar - Prejudicar um time com arbitragem.

U

Uniforme - Conjunto das peças do vestuário que, por suas cores, indicam um determinado clube.


Último - Usado na expressão "último andar": a parte do gol junto ao travessão.

V

Valorizar - 1. Exagerar no efeito de contusão banal para o time ganhar tempo com a paralisação da partida; catimbar. 2. Avançar com a bola controlada, sem pressa.


Vazado - Vencido, batido, ultrapassado: "Foi o goleiro mais vazado".

X
Xerife - 1. Jogador que tem procedimento próprio de policial truculento, atribuindo-se o comando do time durante a partida. 2. Zagueiro que defende a sua área com rispidez. 
Z

Zaga - Posição da defesa, dos zagueiros, entre a linha média e o goleiro.


Zona - 1 Área que define imaginariamente a posição, em campo, de cada um dos grupos de jogadores destacados para a defesa, ataque e meio de campo. 2. Sururu.

W
W.O. - Derrota do time pelo seu não comparecimento ao campo de jogo em dia e hora marcados.


CRÔNICA SOBRE A MORTE


Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. 

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. 
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. 

Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. 

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. 

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da 
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? 

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. 
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. 
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. 

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. 

Qual é? Morrer é um cliche. 

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em 
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. 

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas 
cuido eu. 

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e 
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. 
Isso é para ser levado a sério? 

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. 
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. 

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. 

Só que esta não tem graça.

(por Pedro Bial)


domingo, 20 de maio de 2012

DESAFIO DA GINCANA DE LEITURA - 2° ANO 02

DESAFIO: caracterizar um casal português representando Jerônimo e Piedade do livro O Cortiço apresentando algo da cultura Lusitana.
PONTUAÇÃO: 50 pontos
DATA:18/05
LOCAL: Biblioteca Escolar Rui Barbosa







sábado, 19 de maio de 2012

MAFALDA VAI À ESCOLA - Reflexão para nós PROFESSORES

PROJETO EEB IRMÃ IRENE À CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE



Alunos Adriel e André Vinicius entrevistam as cozinheiras sobre a origem dos produtos utilizados no preparo da merenda, quantidade produzida  e o destino das sobras de comida e óleo de cozinha..

EMI: CONTAÇÃO "A CAIXA DE PANDORA"

ATIVIDADE DE ORIENTAÇÃO DE LEITURA: Contação de Histórias
TURMAS: 1° Ano EMI
PROFESSOR/CONTADOR: Elizeu Domingos Tomasi
DATA: 17/05/2012

Texto:  A Caixa de Pandora – Mitologia Grega

Objetivo: desenvolver o prazer e o gosto pela leitura do texto literário por meio do estímulo a curiosidade dos adolescentes.

Metodologia: Contação de história por meio da narração interativa, da inclusão de objetos físicos na histórias e da existência de um elemento surpresa relacionado ao enredo do texto.



















OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA: 2°6 - PRIMEIRO CONTATO COM O ARTIGO DE OPINIÃO

Alunos do 2°6  leem e analisam as características principais de Artigos de Opinião.





OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA: 1.6 e 1.7 PESQUISAM CRÔNICAS SOBRE FUTEBOL












sábado, 12 de maio de 2012

É A GENTE CRESCE...

A gente cresce...
e de uma hora para outra esquece
o como era bom ser criança
o como era  bom sentar pela manhã 
e ver na TV um programa feito exclusivamente por cachorros,
mas que era muito melhor que muitos programas feitos por humanos hoje.
que saudade da Priscilla e do Buldog Borges... Ah TV Colosso!

A gente cresce...
e onde está o Fofão?
Onde está aquela figura tão alienígena e tão humano mesmo tempo?
Que fim levou aquele "ser" que dizia  tanto apenas imitando sons?
Será que foi misteriosamente engolido pelo Bob Esponja
tão mais estranho quanto estrangeiro e sem noção?
Ou será que a falta de futilidade não o deixou resistir
perante as "bestialidades" que trazem de fora 
como se nossas crianças não fossem tão únicas especiais?

A gente cresce...
e nunca mais terá a chance de desejar a nossa rainha:
"um beijo pra mamãe, pro papai e especialmente pra você!"
Fogo tragicamente consumiu aquela mágica nave rosa
e com ela consumiu a Rainha dos Baixinho deixando apenas a Xuxa e sua TV.
Uma rainha cujos baixinhos cresceram e se tornaram apenas telespectadores como tantos outros...

A gente cresce...
e infelizmente embarca em um CARROSSEL
onde o mundo é tão complicado
que a terra cada vez parece menos com o céu.
Ah como era bom amar a Maria Joaquina
e ao mesmo tempo odiá-la cada vez que menosprezava o Cerílo!
Como  desejamos ser o Cerilo 
ou qualquer outro aluno da classe tão amada pela professora Helena!
"Presente querida professora!"

A gente cresce...
e "Por Merlim" onde está a fada Bela?
"Fada Bela tome cuidado
o caminho é tão complicado..."
Será que mais uma vez ela se atrapalhou
o encantou deu errado e ela sumiu?
Ou será que o honorável Kelven - Bate!
a trancou eternamente dentro do espelho mágico?

A gente cresce...
e devido a tantos compromissos e responsabilidades
é expulso do Comitê Revolucionário Ultra Jovem 
ou simplesmente do CRUJ.
É a gente cresce e infelizmente chega  no final de uma tarde qualquer 
e se dá conta que o
o "Cruj, Cruj, Cruj. Tchau" é para sempre.

A gente cresce...
e crescer não é ruim!
O ruim é saber que jamais veremos na TV
uma programação de fato educativa e construtiva
para nossas crianças.


O que dizer do Bom Dia, da TV Globinho e até mesmo do PATATI PATATA?
Quem  conheceu os verdadeiros programas infantis das décadas de 80 e 90 sabe que não há comparação.


P.S: Como gostaria que minha filha tivesse sido minha colega de infância, ela seria tão mais feliz!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MOVIMENTO CONTRA O BBB



ARTIGO ESCRITO  POR LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB  é a pura e suprema banalização do sexo.
Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa ( a casa dos heróis?), como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB  é a realidade em busca do IBOPE.  

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um zoológico humano divertido. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. 

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. 

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. 
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia. 

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns). 

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. 

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o ?escolhido? receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. 

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores) 

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

 
 Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CASO BBB e LUIZA (que não está mais) NO CANADÁ

O BRASIL, OU MELHOR OS BRASILEIROS, ESTÃO MESMO UMA PIADA! QUALQUER BESTEIRA NA INTERNET OU NA  TV VIRA NOTÍCIA, VIRA FEBRE, VIRA HIT. ACHAMOS MPB UMA PORCARIA, (PORQUE É BRASILEIRA), MAS IRONICAMENTE  CURTIMOS O HIT "PINTINHO PIU". ENQUANTO O ENEM É ALVO DE TANTAS POLÊMICAS A JUVENTUDE DISCUTE "ESTUPRO NO BBB" E DÁ "FAMA" PARA GAROTA QUE ESTAVA NO CANADÁ, QUE NADA FEZ E NEM AO MENOS TINHA CONSCIÊNCIA DO QUE SE PASSAVA EM UM LONGÍNQUO PAÍS CHAMADO BRASIL.

SÁBIAS AS PALAVRAS DE CARLOS NASCIMENTO...  


VERDADEIRAMENTE SE FOI O TEMPO EM QUE OU SE TINHA TALENTO, OU SE CORRIA ATRÁS DOS 15 MINUTOS DE FAMA! HOJE SÓ PELO FATO DE EXISTIR JÁ SE É "FAMOSO".

ENFIM, LUIZA JÁ VOLTOU DO DO CANADÁ E NÓS BRASILEIROS, QUANDO VOLTAREMOS À REALIDADE?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CULTISMO E CONCEPTISMO NO SERMÃO DA QUINTA DOMINGA DA QUARESMA DO PADRE ANTONIO VIEIRA

            Possuidores de uma perfeita retórica e de uma habilidade ímpar de trabalhar com a linguagem, os sermões do Padre Antônio Vieira ficaram famosos pelo seu poder de persuasão. Esta habilidade persuasiva deu a Viera atuação na área da diplomacia e também acarretou problemas com o Tribunal do Santo Ofício.
[...] dois anos e quase três meses esteve Vieira na Inquisição de Coimbra incomunicável num cubículo de quinze palmos por doze, sem receber luz senão através de um corredor. Móveis, eram apenas o cântaro d’água e as vasilhas para os despejos. Livros, nenhum, a não ser o breviário e, mais tarde, a Bíblia. Não se sabe se, em atenção à idade – perto dos sessenta anos – lhe facultaram o regalo de um leito, uma mesa e um banco para redigir sua defesa escrita. (LINS, p. 120)
            Seu grande prestígio como orador, porém acabou-lhe garantindo o perdão papal. De volta ao Brasil, preocupou-se em organizar seus sermões; dentre os quais encontramos No Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, ministrado no ano de 1654 na Igreja Maior da Cidade de São Luís no Maranhão, Vieira discorre sobre a relação antagônica entre a verdade e a mentira.
            Apresentando estrutura fortemente conceptista, Vieira inicia seu sermão expondo a idéia, ou moral que vai defender: “A verdade e a mentira: a verdade do pregador e a mentira dos ouvintes.” Em seguida, o orador recorre (por diversas vezes) às Escrituras para enraizar e dar veracidade ao seu discurso. A fim de efetivar a compreensão de seu auditório, composto de gente de todos os tipos, Vieira confirma as Escrituras e seu discurso por meio de diversas alegorias e exemplos que melhor materializem o que diz, ou como diz:
Mais sucede nesta passagem dos ouvidos à boca. Como os ouvidos são dois, e a boca uma, sucede que, entrando pelos ouvidos duas verdades, sai pela boca uma mentira. Parece coisa de trejeito, mas é tão certa, que a primeira mentira que disse no mundo foi desta casta: uma mentira feita de duas verdades. (VIEIRA, 1654)
            “No Maranhão até o sol e os céus mentem... No Maranhão não há verdade.” A um pregador é dado analisar a sua realidade, Vieira expressa na primeira afirmação a cultura de mentira que existia no Maranhão e na segunda afirmação sustenta a primeira por meio de um raciocínio lógico: se mentem não há verdade. O orador faz nessa passagem um jogo de ideias que sustenta sua argumentação.
            Segue ainda a estrutura conceptista de Vieira abusando de analogias e comparações afim de melhor representar e materializar o que prega como na passagem a seguir onde o pregador compara a presença do diabo nas nações com características de suas povos fazendo uma espécie de caricatura dos povos europeus:
 “Dizem que a cabeça do diabo caiu em Espanha, e que por isso somos furiosos, altivos, e com arrogância graves. Dizem que o peito caiu em Itália, & que daqui lhes veio serem fabricadores de máquinas, não se darem a entender, & trazerem o coração sempre coberto. Dizem que o ventre caiu em Alemanha, & que esta he a causa de serem inclinados à gula, & gastarem mais que os outros com a mesa & com a taça. Dizem que os pés caíram em França, & que daqui nasce serem pouco sossegados, apressados no andar, & amigos de bailes. Dizem que os braços com as mãos & unhas crescidas, um caiu na Holanda, outro em Argel, & que daí lhes veio – ou nos veio – o serem corsários. Esta he a substancia do apólogo, nem mal formado, nem mal repartido, porque, ainda que a aplicação dos vícios totalmente não seja verdadeira, tem com tudo a semelhança de verdade, que basta para dar sal à sátira. E, suposto que à Espanha lhe coube a cabeça, cuido eu que a parte dela que nos toca ao nosso Portugal he a língua, ao menos assim o entendem as nações estrangeiras que de mais perto nos tratam. Os vícios da língua são tantos, que fez Drexélio um abecedário inteiro, & muito copioso deles” (VIEIRA, 1654)        

Antonio Vieira segue no Sermão da Quinta Dominga da Quaresma essa estrutura conceptista que ele mesmo propusera no Sermão da Sexagésima onde critica o Cult ismo de certos pregadores, que em lugar de desenvolver uma argumentação consistente preocupam-se em enfeitar a linguagem tornando-a incompreensível.
Assim neste sermão, da Quinta Dominga da Quaresma, vemos uma engenhosa construção argumentativa rica em alegorias, comparações criando contrastes (verdade/mentira), simbologias originais (se mentem não há verdade) sempre os apresentando por meio de raciocínio claro e lógico que envolvia o publico seduzindo-o às conclusões que a ele e ao objetivo do sermão interessavam; características estas que fizeram de Antonio Vieira o mais importante e persuasivo representante do Barroco no gênero da oratória.

ELIZEU DOMINGOS TOMASI - Literatura Portuguesa