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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PEÇA QUAL É SUA TRIBO?

CENA I
Quando começar a letra da música “Metamorfose ambulante”, TIAGO entre; de calça jeans e camiseta do colégio ouvindo a música no MP4 (a plateia tem a musica como fundo) tira o computador da mochila e o liga. Tira os fones do ouvido (parando a música quando repete o verso do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..”) e começa se apresentar como se estivesse conversando com a plateia.
TIAGO: Bem para quem não me conhece eu sou TIAGO, eu tenho quinze anos e estudo aqui no colégio desde que eu era um pirralho. Eu gosto de esporte, futebol, skate... gosto de sair com a turma, bater um papo. Gosto de navegar na net, deixar, meu perfil sempre atualizado. Afinal, a gente nunca sabe quando um desses anjos virtuais vai dar uma espiadinha em nosso Orkut né! E é claro gosto também de curtir um sonzinho... Volta a colocar os fones (continua a música, TIAGO vai até a mesa sob o som da música navega na internet por alguns segundos. Retira os fones (para a música no verso “sobre o que eu nem sei que sou”) e da mesa onde está continua conversando com a plateia. É eu acho que sou um adolescente normal! Ou não? Sou muito feliz assim do jeito que sou, mas outro dia na aula, um professor chegou para mim e perguntou: “Qual é sua tribo?”. Confesso que entendi bolhufas do que ele estava falando e perguntei se ele estava me achando com cara de índio. Levanta-se e vai até a plateia, escolhe alguém da plateia e começa a falar como se estivessem conversando. É, mas imagina cara, se eu chegasse para você e do nada perguntasse “qual é sua tribo?”. Alguém por sinal aqui tem uma tribo? Eu, sei que eu não tenho tribo e acho que “o cabeça” do meu professor viajou total com essa pergunta. Volta-se para o centro do palco indo novamente em direção a mesa e continua conversando com a plateia e mexendo em seu computador. É só que o professor não gostou nada da pergunta que eu fiz e mandou toda a turma fazer um trabalho sinistro sobre as tais tribos. E caraca!Que viagem! Esqueci total eu marquei com a turma de fazermos o tal trabalho. É quem sabe agora eu descubra qual é a minha tribo. Dá uma pausa de alguns segundos. Para a plateia. Galera, tenho que ir nessa. Coloca os fones, volta a música voltando a música. Arruma o computador na mochila e sai apressado. Fui!!!! TIAGO sai continua a música até a próxima cena.

CENA II
Para a música no verso eu sou um ator...” e entra Helio, o pai de TIAGO com um jornal e um copo, falando direto com a plateia. Deixa o copo e o jornal na mesa e volta-se para o centro.
HÉLIO: Mudanças estranhas estão acontecendo com TIAGO. Até há algum tempo, ele só andava de bermuda e jogava bola o dia inteiro. Nunca ia à festas, não dançava e sua principal diversão era assistir uns tais Dragonball-Z – eu achava meio violento, mas pelo menos ele estava sempre em casa. TIAGO não ligava para roupa. Jamais se preocupou com o aniversário de ninguém. Banho? Só na base de muita ameaça. Telefone? Podia ficar o dia todo tocando ao lado dele e ele nem aí. É, mas de uns tempos pra cá, tudo mudou...(volta a música, Hélio vai até a mesa e folheia o jornal) (Para a música quando repete o verso “do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”) Nessa semana, em pleno jogão da seleção, TIAGO estava lá na janela, com o olhar perdido em algum ponto do horizonte... Banho agora é o contrário: tenho que vigiar para ele não tomar tantos, que é pra não gastar, ou sei lá, quem sabe desbotar a pele do menino; é banho de manhã, é na hora de ir para o colégio, é a noite... Se o telefone toca, saí da frente! Lá vai o TIAGO derrubando quem ou o que encontra pela frente para atender o telefone antes de qualquer um.

CENA III
Continua a música, Hélio volta a ler o jornal. Entra TIAGO de calça jeans e camiseta do colégio ouvindo a música “Metamorfose Ambulante” no MP4 (a plateia tem a musica como fundo) ele está com a mochila tira os fones do ouvido (parando a música no primeiro “eu sou um ator.....
TIAGO: Com voz de quem precisa pedir algo, mas não quer contar tudo. Olha para o chão tentando disfarçar. Meu pai, eu queria comprar uma camisa preta para ir a uma festa aí e tal...
HÈLIO:O que rapaz?
TIAGO: Sabe o que é pai, é uma festa e todo mundo tem que ir de preto!
HÉLIO: Festa? E desde quando você vai à festa?
TIAGO:Não, é que... murmura alguns sons sem deixar entender o nome da pessoa ... me convidou para o aniversário dela.
HÉLIO: Quem?
TIAGO: Murmura novamente alguns sons sem deixar entender o nome da pessoa
HÉLIO: Fala direito cara!
TIAGO: Poxa pai é o aniversário de “uma colega” e eu tenho que ir!
HÉLIO: Ah bem! Que legal, e aí?
TIAGO: É que eu vou dançar com ela e tenho que ir de preto, e eu não tenho uma camiseta preta.
HÉLIO: Você? Dançar? Roupa? Meu filho você tá com algum problema?
TIAGO: Ih pai, lá vem você com suas teorias! Eu só quero uma camiseta preta e pronto! Tem algum problema nisso?
HÉLIO: Não, todo bem! Mas fale mais sobre essa “sua colega”. Como ela é? Ela é assim, como vocês dizem hoje, “gatinha”? Puxa uma cadeira para TIAGO convidando-o para uma conversa. TIAGO senta-se contra sua vontade.
TIAGO: É!
HÉLIO: E vocês...?
TIAGO: E aí pai vai rolar a camiseta preta?
HÉLIO: É sim até pode ser, mas vem cá! Você e esta “sua colega”, vocês tão... como vocês dizem, ficando?

Toca o telefone TIAGO sai correndo sem responder derrubando o copo que havia sobre a mesa no jornal. Volta novamente por algum tempo a música Helio arruma o jornal e junta o copo. Quando repete pela segunda vez o verso “do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” vai baixando a música
HÉLIO: quando para a música. É e mais uma vez sem resposta! Tem sido sempre assim. Mas sabem o que é isso? É a turma! Eu também já tive uma turma, ou melhor, já fiz parte de uma turma; e sei como é importante, na idade de TIAGO, essa entidade – a turma. A gente é um ser racional, menos quando em turma! Hoje eu fico me perguntando: existe alguma razão para um grupo de pessoas sentar todos os dias numa escadaria ou num meio-fio e passar horas e horas conversando? É, se eu falo para o TIAGO que refrigerante engorda e chocolate dá espinha, ele nem ouve, mas se a turma resolver, ele passará a tomar água com limão e pegará nojo à chocolates. Eu posso dizer que Bossa Nova é bom e mostrar jornais e revistas, provar que só “ A Garota de Ipanema” já recebeu centenas gravações em todo o mundo, mas ele aumentará o volume do rock pauleira ou do funck pesado. Isso, até o dia que alguém da turma aparecer com uma música de MPB no celular e ele trocará Akon ou NX0 por Tom Jobim de um dia para o outro. A turma em moda própria. Quando resolvem, todos arregaçam as barras das calças que usavam arrastando no chão. A turma se traumatiza; como quando o namoradinho de uma se apaixona pela namoradinha do outra... A “galerinha” tem um idioma próprio, que ninguém entende; a não ser eles é claro! A turma tem duplas de amigos e amigas mais chegados,que numa grande mistura formam uma festa de aniversário, onde ninguém dança até que alguém da turma comece dançar; aí todos dançam trocando de par até acabarem dançando todos juntos , como a turma que são... Um da turma se tatua todos da turma querem se tatuar. Se um bota uma argola no nariz, os outros, para variar, botam no lábio, na sobrancelha, na orelha, ou onde mais imaginar que ficaria sinistro... A turma chama, reprime, liberta, revela, maltrata, orgulha, a turma te ama e te envolve, te afasta e te atrai. A turma é isso aí, cara, uma reunião diária de espinhas e inquietações, habilidades e temperamentos – o baralho das personalidades se misturando - o jogo das informações e dos sentimentos rolando nas conversas sem fim, nas andanças sem cansaço, nas músicas compartilhadas, no refri com três canudos e uma empadinha para quatro. Sim por que na turma o milagre acontece: o pouco dá para todos, todo mundo divide,cada um contribui, a turma se une partilhando e repartindo. É assim, porque a turma é a turma! É mas um dia cansamos da turma – ou a turma cansa de nós - aí passamos a ser gente, nós por nós mesmos. Crescemos, viramos adultos e o nosso tempo de turma passa e deixa muita, mas muita saudade.
Hélio fica um pouco pensativo, lembrando de sua turma, arruma as cadeiras no canto pega seu copo e seu jornal quando inicia a próxima música Helio sai do palco que fica por alguns segundos vazio
CENA IV

HELENA Garotos! Nos primeiros anos de sua vida, você brinca com garotos, sem dar atenção ao fato de eles serem GA – RO – TOS! Então você cresce um pouco e começa acha-los chatos e irritantes. Ai chega algo chamado de A – DO – LES – CEN – CIA e – surpresa! - Você começa a se interessar por eles. É, simplesmente acontece. Sua melhor amiga arrumou um namorado e não para de falar nele. E o pior: ela está gostando dele. Aos poucos, todas as suas amigas estão curtindo com seus gatinhos e eles já fazem parte de sua turma. E você lá sem ninguém sozinha! Aí você conversa com sua melhor amiga que lhe aconselha dar uma festa, tá chegando seu aniversário e você convida aquele gatinho que fica te olhando, que escreve poesias... Você se enche de uma coragem que não sabe de onde vem e vai lá e o convida para dançar contigo na festa. Ele diz que vem! Você fica contando os segundos para a festa e quando chega, cadê ele? Isso acaba com qualquer garota! O que vou fazer? Ele já devia estar aqui. Péssima ideia essa de dar uma festa ele não quer nada comigo, com certeza tem outros agitos por aí. Eu fui uma boba mesmo pensando que ele viria na festa, dançaria comigo, ficaríamos juntinhos a noite toda, rolaria um beijo e quem sabe poderia chegar amanhã no colégio feliz da vida e dizer para todas minhas amigas EU ES – TOU NA – MO – RAN – DO. (pausa) É, mas parece que eu estou longe de realizar esse meu sonho, ele infelizmente não veio. (vai saindo decepcionada e encontra TIAGO )
HELENA: você veio!
TIAGO: Claro afinal foi você quem me convidou, eu não poderia furar com você não é Helena!
HELENA: Sabia que poderia em confiar em você. Afinal são poucos os garotos assim hoje em dia! Ah! Já ia esquecendo, desculpa ter demorado para entregar suas poesias.
TIAGO: Tranquilo, sem crise Helena.
HELENA: Você sabe por que eu demorei? Eu estava copiando.
TIAGO: Sério? Você gostou delas!
HELENA: nossa cara elas são demais! Meu e aquela, como que é... ando... ando...
TIAGO: qual essa, que fiz especialmente para você, que é mais ou menos assim....(inicia a dança)

CENA V
O palco fica vazio por alguns segundos ao som do restante da música Palavras pequenas. Entra TIAGO de calça jeans e camiseta do colégio ouvindo a música “Palavras pequenas no MP4 (a plateia tem a musica como fundo) ele está com a mochila deixa-a sobre a mesa retira o computador da mochila tira os fones do ouvido (parando a música) e começa falar mexendo no computador.
TIAGO: Bem aqui está o trabalho – Qual é sua tribo? - prontinho é só apresentarmos ao professor. Oras, qual é minha tribo?! Sou adolescente, pertenço a tribo dos semi-deuses guerreiros. Sou da tribo dos que parecem não ter medo de nada. Não temos medo da velocidade, na falsa certeza de que somos invulneráveis. Não temos medo das drogas na firme e utópica certeza de que nenhum mal nos atingirá. E cometemos o irreparável erro de não termos medo do sexo e assim vamos gozando de seus prazeres sem nenhuma proteção. É, para quem nos vê de fora parece que não temos medo nem mesmo da morte. Mas há sim algo de que temos muito medo – da solidão. Nós não conseguimos ficar sozinhos nem conosco mesmo. A solidão nos deprime! E é por isso que não desgrudamos do telefone, não saímos da internet; estamos sempre em grupo, em turma. A turma é feita de algo que o mundo precisa muito; igualdade. Na turma, nos identificamos, somos todos iguais. Parecemos sim semi-deuses, mas temos sim tristezas e para espantá-las fazemos festas, ouvimos músicas alto. Tudo para espantar um terrível medo que temos, o medo de ficarmos adulto, pois ficar adulto é encontrar a solidão e nós da tribo pujante dos adolescentes definitivamente detestamos a SOLIDÃO, pois sabemos que nossos 15, 20, ou 25 anos vão passar e mais depressa do que imaginamos e não queremos per der tempo sofrendo. Nada importa, queremos aproveitar a vida a cada segundo. Não importa se o dinheiro está curto, se foi abandonado pela namorada, se o futuro é incerto. Certo ou incerto para nós, o que importa é que há um futuro e o que queremos, é aproveitar a vida pois quando esse futuro chegar a única coisa que não queremos dizer é “Eu não aproveitei a minha vida.

GRUPO REPRESENTAR TEATRO AMADOR - EEB IRMÃ IRENE
TEXTO E DIREÇÃO: Elizeu Domingos Tomasi
COREOGRAFIA: Marinei Pedon
SONOPLASTIA: Osmar Chaves
ELENCO: Tiago Cambrussi
                  Weligton Lucas Baschera
                  Angelis Manuele Taques Schumacher

terça-feira, 31 de agosto de 2010

TEATRO RAIZES CECILIENSES (Adaptação feita por mim do livro Raízes Cecilienses José Eli Goetten)

O palco está vazio apenas a moldura do quadro entra o primeiro habitante Adão Goetten com sua esposa. Ele está casado reflete junto com sua esposa Ana Barbara Ruth sobre as condições da terra onde estão prestes a fixar residencia.
ANA BÁRBARA RUTH: decepcionada com o marido. Adão para onde você nos trouxe homem! É aqui que pretende morar? Nada que plantemos neste chão dará. Nem estradas, tem nesse sertão homem!
ADÃO GOETTEN: compreendendo o desespero da mulher e tentando esperançá-la Ana, chegamos até aqui, foi muito chão. Não podemos voltar agora. Passaremos sim por privações, mas seremos fortes, colocaremos as mãos no trabalho, lançaremos a semente do futuro, nesta terra ainda virgem e em breve com a força da família que formaremos colheremos bem mais que alimentos e construiremos bem mais que uma casa... Inicia o um fundo musical. Entram os filhos de Adão e Ana: Mathias Goetten, José, Francisco, Maria, Mathias Adão, Ana, João, Pedro, Nicolau e Miguel. Todos tendo em mãos suas ferramentas e com elas trabalham na terra. O casal abraçam-se e olham esperançosamente para o horizonte esperando o futuro. Após alguns instantes o fundo musical é interrompido por um trope de cavalos. A família se junta em um lado do palco e entram em cena os tropeiros. Os tropeiros encilham seus cavalos no centro do palco cumprimentam-se Adão Goetten e o chefe da comitiva Emil Odebrecht.
EMIL ODEBRECHT: Velho Adão Goetten, como está bem instalado por estas paragens meu estimado amigo.
ADÃO GOETTEN: foi duro meu amigo, mas com muito trabalho conseguimos fazer esta terra produzir. Pernoite conosco amigo Emil, tomemos um gole de água-ardente e escutemos uma moda de viola. Baixa a luz. Todos se reúnem em uma roda no centro do palco. Nela, água-ardente, chimarrão. Os músicos tocam “Luar do Sertão” e são acompanhados por toda a roda. Todos adormecem. Adão e família saem, vão para trás do quadro. Apaga-se a luz por alguns instantes. Quando acende-se a luz novamente os tropeiros acordam encilham seus cavalos. Adão vem se despedir no centro do palco conversam Adam e Emil.
EMIL ODEBRECHT: bom dia amigo! Estamos de partida. Queremos agradecer pelas hospedagem amigo.
ADÃO GOETTEN: não é de nada, é para isso servem os amigos. Lembranças para a família!
EMIL ODEBRECHT: iniciam os tropes dos cavalos e a retirada das tropas serão entregues velho Adão. Passar bem! Temos um longo caminho até as paragens de São Paulo. Ao som do trope dos cavalos os tropeiros saem. No centro do palco fica o Adão Goetten, o trope dos cavalos vão desaparecendo entra a sua família. Ana vai para junto de Adão.
ADÃO GOETTEN: filhos, esta noite junto com sua mãe decidimos que partiremos para Curitibanos. Dividirei nossas terras entre você Mathias e seus irmãos mais velhos para que dê continuidade ao cultivo dessa terra.
MATHIAS GOETTEN: meu pai com o senhor abracei a missão de desbravar estas matas e agora pelo senhor e por sua coragem assumo o compromisso de levar o seu sonho a diante e lutar pelo progresso dessa terra regada com o suor de nossa família. Mathias se despede dos pais e dos irmãos que vão se retirando. A luz vai baixando lentamente até apagar-se totalmente.

OFF: O certo é que Mathias Goetten torna-se um hábil comerciante adquirindo animais e empreitando o deslocamento de tropas de gados e varas de porcos levando-os para o estado de são Paulo. Enquanto isso na região do Corisco iam surgindo novos moradores, novas famílias, os personagens vão formando o quadro ao fundo do palco e luz vai subindo que vão casando seus filhos entre os vizinhos e assim o povoado vai crescendo. Quando a luz se acende completamente o quando deve estar concluído. Mathias Goetten se junta aos demais no quadro. é, nosso povo sempre foi um povo de muita fé e se aproveitando disso, por varias vezes os monges figuras proféticas da época passaram por aqui, enfervecendo ainda mais a fé do povo. (fundo musical. Entra o monge e seus seguidores)
MONGE: os seguidores sentam de costas para o publico a ouvir as profecias do monge. Tempos virão... que em lugar do boi puxar o carro, o carro puxará o boi! Irmãos, não queiram estar aqui quando isto acontecer, pois gafanhotos de dentes de aço, vão devorar esta nossa floresta... a começar pelo nosso pinheiro. Há de chegar um tempo em que os homens vestirão roupas com características femininas e usarão adornos, se portando como mulheres... e eis que uma doença assolará a humanidade, e muitos anos passarão até que possa ter cura eu digo isso porque me foi revelado...Armai-vos e lutai contra a mão destruidora do homem, lutai exercito de São Sebastião, não deixai que o mal nos vença e nos destrua!(os seguidores se agitam E irmãos, se pelas mãos dos homens eu morrer, abrandai seus corações pois em poucos dias ressuscitarei... O monge levanta e inicia sua retirada entoando preces com seus seguidores. Fundo musical. Entra o Francisco Alonso ordenado ao publico.

FRANCISCO ALONSO: Eu vos dou ordem e Deus e São João Maria lhe dará o poder; e força para ir com um piquete de 15 home em casa do João Goetten. Se houver peludo terão de brigar e esbodegar com tudo os peludos e resgatar, uns preso que tem lá e esta hora será de madrugada, entrarão nas trincheiras sem dar tiro, só a facão e depois disso feito, terá o direito de lançar a mão no que for dos peludos, só menos em dinheiro, isso sim não; e respeitar muito as famílias e não injuriar e terão o direito de dar as voltas que for necessário; e enconvidar os que for do acampamento para virem com o que puderem trazer, e o que for peludo, terão de matar sem perdão, só não prenderem e as casa dos peludos terá o direito de queimar, só deixando a casa onde acomode as famílias, e os homens que for Goetten é para ir de cepo aparado, menos mulher e criança.
Inicia a briga entre os homens de João Goetten
OFF: é povoado ia de vento em polpa, mas foi duramente castigado por ataques dos jagunços durante a campanha do Contestado, que destruíam tudo, e partiam, deixando a dor e o sangue derramado em nosso chão regado a suor...(inicia a dança do contestado ai encerrar o avião cruza o palco um dos integrantes da dança permanece morto no chão inicia o fundo musical, entra um sobrevivente do meio da plateia do ataque, vasculha os corpos e em um dos cadaveres encontra um bilhete.
OFF: O conflito durou cerca de quatro anos e castigou muito nossa região e os negócios do senhor João Goetten Sobrinho ou, como chamavam João Bravo, filho de Mathias Goetten, que herdara a coragem do avô Adão Goetten. Defendera seus negócios, que cresceram e prosperaram e logo ele acumulou uma considerável fortuna e temendo novos ataques juntou o que tinha em moedas de prata e enterrou no potreiro de sua casa. Entre João enterrando sua panela.
JOÃO: É aqui estará seguro se algum jagunço infeliz atacar novamente terei com o que recomeçar a vida. Inicia o fundo musical .
OFF: O fato é que ele nunca mais achou o lugar onde enterrara a sua pequena fortuna. E passou os últimos dias de sua vida com a pá nas costas a procurar. Sai com a pá nas costas para o outro lado. Musical E outras histórias contam nosso povo e a mais tradicional é a de um negrinho, filho de escravos e afilhado de Nossa Senhora que num certo dia faltando um dos animais que pastoreava, o o patrão o castigou com tamanha violência e com vida colocou o corpo do menino ainda com vida em um formigueiro. Logo em seguida a alma do negrinho vagava pelos pampas montado em um cavalo baio. Incia o fundo musical O Negrinho do Pastoreio sai do quadro e assume o centro do palco recita a poesia em homenagem ao Negrinho do Pastoreio.

NEGRINHO DO PASTOREIO: Muita coisa tem-se dito
Do Negrinho do Pastorejo
Mas o causo bem contado
Já faz tempo que não vejo:
Conto agora bem certinho
Se vancê me dé ensejo.
Essa estória vem de longe
Duma veia tradição
Diz que é fato de verdade
E de grande exatidão
Nóis, pequeno, ouvindo o causo,
Se benzia com devoção.
O Negrinho foi crescendo
Como um traste apinchado,
Sem te pai nem padrinho
Neste mundo desalmado,
Atirado pelo canto,
Um bichinho desprezado.
Ao chega lá no Curisco,
Na fazenda da Chapada,
Ouve farta de potrero
Pra dexá a tropa fechada,
O recurso foi faze
Uma ronda na invernada:
Era febre pro patrão
E trabaio aos camaradas.
Tudo ia correndo certo
Inté lá por umas tantas
Derepente o gado bufa,
Cheira o ar e se espanta,
Era bugre ou era tigre
Que andava atrás da janta.
Lindo som se ouve nas nuve,
E no céu se abriu um crarão,
Uma festa dos anjinhos
Que buscava outro irmão
Com a alma mais branquinha
Do que a neve do sertão.
Se tu hoje lá passa,
Ás de vê uma capelinha
Que o povo da vilinha
Tem mandado edifica
O pio tristonho das perdiz
Faz lembrar nosso Negrinho,
Que era sempre o primeiro
No rebenque a pinoteá,
Ele hoje é um anjinho,
Lá na nuve fez seu ninho,
E quando desce é pra ajudar
O negrinho vai para um canto do palco e se posiciona na mesma posição que estava no quadro anterior
OFF: E não só lendas interessantes cobrem esse povo, como esse povo também é interessante e algumas figuras curiosas formam esse povo valente e gentil. É fácil comentar os feitos de pessoas dotadas de inteligência fora do normal, pessoas que, por uma razão ou outra, estão na mídia.
Mas quando falamos de pessoas comuns, que às vezes, por um acontecimento muito forte, perdem a noção da realidade ou do ridículo, elas também viveram em nosso meio, fazendo parte da história, por isso deixaram marcas em nossa memória, pelos seus atos e maneira de ser. Um exemplo claro dessas figuras folclóricas é a senhora Ana Ribas ou melhor... Sai do quadro principal a boneca Cobiçada.
BONECA COBIÇADA: podem me chamar, sem rodeios, de Boneca Cobiçada! Na verdade não entendo muito o por que de me chamarem assim. Será devido esse meu humilde vestido de chita rodado? Ou será por causa do meu chapéu colorido com fitas? Sinceramente, eu não vejo o por que Boneca Cobiçada. Eu sou uma pessoa normal como qualquer outra mulher ceciliense. Eu não tenho culpa nenhuma do senhor ter me abençoado com um beleza incomum e o tempo não me deixar velha, como muitas mulheres que vejo por ai. Ah, eu gosto de me arrumar um pouquinho, umas correntes de ouro, brinco, anel, passar um pó de arroz no rosto, ficar um pouquinho mais bonita do que eu já sou, para ir curtir as tardes dançantes do clube Guarani. Essa sobrinha, serve para me defender de umas despeitadas que não entende, que o que é bonito é pra se mostrar. Eu sou a Boneca Cobiçada, homens, babem, mas respeitem.... A boneca Cobiçada se dirige para perto do Negrinho do Pastoreio, congela em uma pose chamativa formando o quadro.
OFF: A Boneca Cobiçada marcou nossa memória com seus 70 anos até que apareceu um suposto filho seu e a levou de Santa Cecília. É ao nascer viemos à terra com uma predestinação. Uns vêm e se dedicam a fazer o bem, outros trazem o espírito cheio de revoltas, não aceitando os conselhos e se realizando com as desgraças e insucessos de seus semelhantes. O caráter é predominante em cada um de nós, e, assim, tornamo-nos o que viemos destinados a ser, na terra. No caso do seu Manoel Granemann, suas estórias e contos são conhecidos em todo o município. Afinal quem nunca ouviu alguém mencionar cheio de dúvidas “e o Biléco junto!”Entra o Biléco contando um de seus causos para o público.
BILÉCO: é vejam só, outro dia chegou um camarada e me disse: “O Biléco, te dou R$ 10,00 para você invente uma de tuas mentiras agora!” Eu é claro respondi imediatamente: Não quero teu dinheiro, pois acabei de recusar R$ 20,00 pelo mesmo motivo a poucos minutos.” É comigo é assim na lata! E não me tire do sério pois oh... outro dia tentar atravessar a BR 116 eu quase fui atropelado por um caminhão de combustível e o motorista me xingou um monte. Ah, mas eu sai de mim, ninguém me xinga e sai assim como se nada tivesse acontecido. Olhei o caminhão seguindo e vi que pingava gasolina no asfalto peguei um fósforo e coloquei fogo onde pingava gasolina. Voltei para casa e ao ligar a rádio a noticia que um caminhão de gasolina havia explodido perto de Lages. Aprendeu a não xingar o Biléco. O Bileco se junta ao quadro com a Boneca Cobiçada e o Negrinho do Pastoreio.
OFF: Por estas e outras, que Manuel Granemann Neto, o Biléco tornou-se uma das mais queridas figuras folclóricas do nosso município. É em nossa cidade há muitas pessoas que estão sempre dispostas e prontas para servir. Elas se dispõem a visitar membros da comunidade, ajudar nos trabalhos sociais, nas programações de festas, nas celebrações eucarísticas, enfim, em diversos encontros e atividades. Trata-se de gente que tem desprendimento e assume sua missão com alegria e humildade. Dessa forma sente-se útil. Essas pessoas sentem-se amparadas pelo amor de Deus de forma concreta, pois recebem o estímulo e a vontade de ir ao encontro de quem precisa. Essas pessoas sempre estarão em nossa memória:(vai citando enquanto as pessoas vão entrando e formando o novo quadro Irmã Irene, irmã Franciscana da Sagrada família, professora do nosso primeiro prefeito Orestio José de Souza, as senhoras Maria Inacia, e Julia Gomes Klopass parteiras e benzedeiras e o padre Bernardo Canelle. É quantas pessoas de nossa sociedade foram atendidas por estes anjos de luz independente do horário fundo musical. É e os anos se passaram!E com a garra e a coragem de homens descendentes do primeiro desbravador de nossa Região o senhor Adão Goetten, o que antes não passava de um caminho de burros e tropas virou um povoado chamado de Povinho, que cresceu e tornou-se a cidade que temos hoje. Devemos muito a Rodolfo Goetten Entra Rodolfo Goetten
RODOLFO GOETTEN: sou filho de João Goetten Sobrinho eu represento a quarta geração de Adão Goetten . Aos dezoito anos servi ao exercito em Joinville e parti para o Rio de Janeiro onde iria embarcar para a Italia com os soldados brasileiros para combater na II Guerra Mundial, mas como já não tinha mais meu pai nem irmãos homens foi dispensado imediatamente para ficar com minha família. Casei-me com Iduílda Granemann e fomos uma das famílias fundadoras da Fábrica de Pasta Papel Frascal e aqui em Santa Cecília, fui considerado um dos pioneiros da criação de Bufalo. Junta-se aos outros no novo quadro.
OFF: É responsabilidade de cada um que se intitula ceciliense dar continuidade a essa história iniciada há muito tempo pelo bravo Adão Goetten. E a quinta geração desse desbravador, na pessoa do senhor José Eloi Goetten, bem como a sexta geração na pessoa de seus filhos têm cumprido com sua responsabilidade e estamos hoje reunidos aqui para prestigiar o resultado do trabalho de um filho desse solo. Entra o senhor José Eloi Goetten com seus filhos (em pessoas) para fazer uma declaração pessoal e receber os aplausos da plateia. Encerra-se com hino de Santa Cecília.



ELENCO:
Geanine 2.4 – ANA BARBARA RUTH
Osmar Chaves 3.1 – ADÃO GOETTEN e JOÃO GOETTEN SOBRINHO
André Zanine 1.3 – MATHIAS GOETTEN
Luiz 8.1 – MONGE
Esley Lucas Bueno 8.3 – FRANCISCO ALONSO
Jeferson 1.1 – NEGRINHO DO PASTOREIO
Jociane 3.1 – BONECA COBIÇADA
Nicolas 2.6 – BILECO
Diogo 1.3 – RODOLFO GOETTEN



APRESENTAÇÃO no lançamento do Livro Raízes Cecílienses 

dia 25 de setembro de 2010
na EEB Irmã Irene – Santa Cecília SC