Caro aluno, esse espaço foi criado para aqueles que não conseguiram acessar a plataforma virtual de aprendizagem. Lembro que o simulado é obrigatório e avaliativo. Bom Simulado.
https://docs.google.com/forms/d/1m3aOTxVihMD7RiPWy_mEBWBAMNW-KuJ4aF_WnH4tM00/edit?pli=1
domingo, 6 de agosto de 2017
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
EEB FREI ROGÉRIO RECEBE FAIXA DE HOMENAGEM DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA
A EEB Frei Rogério registrou na manhã de hoje a chegada da faixa que homenageia o aluno Willian Mauricio Sozo do 3°02 - semifinalista da Olimpíada de Língua PortuguesaEscrevendo o Futuro na categoria Artigo de Opinião. Willian, acompanhado do professor Elizeu Tomasi estará viajando para São Paulo onde participará da semifinal e disputará uma das 38 vagas para da final. Boa Sorte Willian!!!!


PINUS: O PÃO NOSSO DE CADA DIA
O nosso município de Ponte Alta do Norte possui uma íntima relação com a madeira. O seu povoamento, por volta de 1924, se deu em virtude das terras baratas e com abundância de madeira que atraíram o interesse de inúmeros imigrantes. E nos dias atuais, a madeira continua sendo a principal matéria-prima do município, responsável pelo desenvolvimento da cidade. No ano de 2014, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), cerca de 46% dos empregos ativos no município eram originados de setores que possuem ligação direta ou indireta com a madeira. Com relação ao nosso Produto Interno Bruto(PIB), a extração de madeira proveniente do plantio de reflorestamento de pinus é uma das atividades que mais gera receitas.
Tais dados demonstram a tamanha importância do setor madeireiro para nossa cidade. Ponte Alta do Norte ocupa, atualmente, o segundo lugar como município com maior área ocupada com o reflorestamento, cerca de 39 mil hectares. O problema é que o pinus é uma espécie exótica e ao ser plantado, ocupa áreas antes ocupadas por espécies nativas provenientes da Mata Atlântica. O consumo excessivo de madeira nas últimas décadas fez com que grandes matas nativas fossem derrubadas para dar espaço aos reflorestamentos de pinus, os quais sustentam a indústria madeireira.
No entanto, nem todas as pessoas reconhecem esta cultura como o carro chefe da economia da cidade. Muito pelo contrário, o mesmo é visto como empecilho para o desenvolvimento do município, principalmente pela grande extensão territorial que ocupam. Agricultores são extremamente contrários a manutenção das florestas plantadas, visto que, as áreas destinadas ao cultivo de feijão, milho soja - por exemplo - apresentam menor proporção e são, geralmente, aquelas que sobram dos reflorestamentos. Além disso, áreas próximas ou herdadas do plantio de pinus acabam ficando degradadas, uma vez que esta cultura absorve os nutrientes do solo, dificultando o plantio de outras culturas.
Mas e se não fosse o pinus? O que seria de nossa cidade? Quantos pais de família trazem o sustento para sua casa trabalhando em serrarias e laminadoras? E se não fossem as laminadoras? E se não fosse as serrarias? O que seria de nós, nortepontealtenses?
Penso, que não podemos ignorar a contribuição do plantio do pinus para o desenvolvimento econômico de Ponte Alta do Norte. Afinal, é desse setor que sai o emprego e a renda de nossa população e consequentemente, o giro do nosso comércio - a mola propulsora do progresso de um município.
Vale destacar ainda, que toda a monocultura causa danos ao solo e ao meio ambiente, não apenas o pinus. A questão aqui, é o planejamento de uma rotatividade de culturas incluindo dessa forma, os agricultores que não veem o reflorestamento de pinus em nossa cidade com bons olhos - e possibilitando, a regeneração do solo entre uma cultura e outra.
Diante de tudo isso, posso afirmar, com convicção, que é necessário buscar novas oportunidades de emprego para os nortepontealtenses, bem como alternativas viáveis à produtividades da lavoura e o equilíbrio ambiental, mas de forma alguma devemos ignorar que as florestas plantadas atualmente no município, embora estáticas, sejam o impulso para o nosso desenvolvimento. Aliando-se a esse potencial uma gestão pública comprometida, pode-se ver uma luz no fim do túnel para um município, que é visto por muitos como sem perspectivas para o futuro. A realidade é uma só: por mais que não se possa "comer madeira", é ela que garante o sustento para grande parte das famílias de Ponte Alta do Norte.
Artigo de Opinião escrito pelo aluno Willian Mauricio Sozo - Semifinalista da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro 2016 - sob a orientação do professor Elizeu Domingos Tomasi.
terça-feira, 31 de março de 2015
REALISMO PORTUGUÊS - Eça de Querós
FILME "O PRIMO BASÍLIO", Baseado no Romance Realista de Eça de Queirós
sábado, 28 de fevereiro de 2015
sábado, 4 de outubro de 2014
FILME A HORA DA ESTRELA
Filme baseado na última obra publicada em vida por Clarice Lispector (1920 - 1977), A Hora da Estrela conta a história de uma nordestina - Macabéa - que vai para o Rio de Janeiro e se torna datilógrafa sem saber datilografar. Na cidade grande, Macabéa começa "namorar" Olímpico, outro nordestino que, diferente de Macabéa, tem desejo de "crescer na vida" tornando-se político. De acordo com uma cartomante, mesmo demitida e abandonada pelo "namorado", a estrela de Macabéa irá brilhar, o que acontece no final quando o alemão Hans entra em seu caminho com sua luxuosa Mercedes-Bens. Chega pois, a Hora da Estrela.
FILME GRANDE SERTÃO (1965)
Filme baseado na obra prima do escritor brasileiro Guimarães Rosa (1908 - 1967), Grande Sertão: Veredas. Neste livro, Riobaldo (ex-jagunço) conta sua história a um interlocutor desconhecido (que nem no final do romance é revelado). Riobaldo fala sobre suas experiências como jagunço, a traição de Hermógenes e sua amizade/amor com Reinaldo, também chamado de Diadorim, Ao final do romance, Diadorim tendo matado e sido morto em uma luta com Hermógenes, Riobaldo descobre que Diadorim era na verdade uma mulher - a filha do chefe jagunço Joca Ramiro - que se transvestia de homem para vingar a morte do pai.
A narrtiva inova na linguagem e no final da narrativa, que não se encerra com ponto final, mas com o símbolo do infinito.
FILME MORTE E VIDA SEVERINA
Filme baseado na obra prima do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920 - 1999), pertencente a 3° fase do Modernismo Brasileiro. Morte e Vida Severina - Auto de Natal Pernambucano é um poema dramático, inspirado na literatura de cordel, conta a viagem de um Severino Retirante que saiu da caatinga para buscar uma vida melhor em Recife.
Vale a pena conferir a saga desse retirante que em busca da vida encontrou a morte, mas quando decidiu morrer reencontrou a esperança na vida.
POR QUE NOSSA POLÍTICA É TÃO BURRA?
Na véspera das Eleições 2014, vale refletirmos um pouco sobre o nosso sistema político e o motivo de ser tão ineficiente.
domingo, 28 de setembro de 2014
E AÍ! SERÁ QUE NEVA OU FAZ SOL TERRA DA MADEIRA?
Por Rafael Smekatz Simão
(Texto vencedor da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro 2014 - Etapa Municipal)
Era
uma manhã agradável de outono... Segundo um típico costume de todo o bom
serrano, assim que acordei, liguei o rádio. “Entre vaneiras, chamamés, xotes e
milongas... O rádio é indispensável, pois sempre nos dá a previsão do tempo. E
em uma cidade pequena como Santa Cecília, onde quase tudo se faz a pé, saber se
vai chover ou não é fundamental”.
De repente, a programação campeira
da manhã é interrompida pela vinheta: “Como vai o tempo? E a temperatura”? Em
qualquer outra emissora de rádio da região, entraria neste momento o Ronaldo
Coutinho – meteorologista da EPAGRI – que faria a, já clássica, previsão:
- E o tempo apresenta-se bom, com
aberturas de sol e possibilidade de pancadas de chuvas.
Acontece que a partir daquela manhã,
a previsão do tempo na terra da madeira jamais seria a mesma! Nos microfones da
rádio uma figura divertidíssima das ruas de Santa Cecília: o Gariando. Um jovem especial que anda
pelas ruas e praças da cidade arrancando risos das pessoas com suas fantasias
sempre temáticas e sua gaita sempre animada pulando, dançando e cantando a todo
pulmão:
- “Tá gariando lá fora! Tá gariando lá fora...”
- “Tá gariando lá fora! Tá gariando lá fora...”
O Gariando, naquela manhã de abril, assumia o lugar de meteorologista. Era o garoto do tempo numa das emissoras de rádio mais ouvidas da cidade:
- Pois é pessoal! Podem ir tirando
os pelegos do armário que a neve já “tá”
chegando... E enquanto ela não chega, “vamo
que vamo que tá gariando lá fora”!
O difícil é acreditar na previsão de neve
para um dia com uma ensolarada manhã de outono, céu limpo e o vento soprando
suave... O engraçado era as pessoas, ao longo do dia, comentar a previsão do Gariando. Algumas levando na brincadeira, enquanto
outras até encontravam certo fundamento na previsão, um tanto particular, dessa
singular figura de Santa Cecília.
“E ai! Será que neva ou faz sol na terra da madeira?”
“E ai! Será que neva ou faz sol na terra da madeira?”
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
O AMOR - Intertextualidade
Galera, conforme combinamos, segue um exemplo clássico do que é INTERTEXTUALIDADE. No exemplo, vemos o tema AMOR sendo tratado em uma carta, em um soneto e em uma música. Vejam que podemos reconhecer um texto dentro do outro - eis uma intertextualidade.
CARTA DE PAULO AOS CORÍNTIOS (Bíblia)
O AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER... (Luiz de Camões)
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
MONTE CASTELO (Legião Urbana)
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
I CAFÉ LITERÁRIO EEB IRMÃ IRENE
Com o objetivo de valorizar os alunos leitores da EEB Irmã Irene, aconteceu no dia 04 de dezembro de 2013 na Biblioteca Escolar Rui Barbosa o I CAFÉ LITERÁRIO EEB IRMÃ IRENE. O Café reuniu os alunos que mais se destacaram como leitores durante o ano de 2013, professores e direção para uma tarde de bate-papo sobre livros lidos, declamação de poesia, dança, música e um lanche especial.
domingo, 22 de dezembro de 2013
LITERATURA COMO PROJETO
Por Elizeu Tomasi
O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre
o homem que não sabe ler.
(Mark Twain)
O
desafio da escola atual ultrapassa os limites do simples incentivo à leitura.
Oferecer livros bons e de qualidade e garantir o acesso aos livros faz parte da
missão de toda instituição escolar. Esse fato se explica pela importância que a
leitura tem dentro do processo de ensino-aprendizagem. Se atentarmos para os
alunos que apresentam os maiores problemas de aprendizagem, vamos logo perceber
que tal falha decorre de uma dificuldade leitora.
Reconhecendo
a importância de se formar alunos leitores, é que as escolas desenvolverem
projetos internos que visam o incentivo à leitura, oferecendo livros e gêneros
textuais diversificados para serem lidos.
Acontece que muitas vezes tais projetos acabam engessados pelo próprio
currículo da escola e as ações de incentivo à leitura, restringem-se em
estipular uma aula de leitura semanal, onde os alunos são induzidos a ler um
material determinado pelo professor. Além de acabar tornando a leitura uma
obrigação, este procedimento acaba gerando uma leitura mecânica e
desinteressante e dessa forma o ato de ler perde seu sentido mais amplo que é o
de proporcionar prazer.
Dessa
forma, faz-se necessário (re) pensar os projetos de leitura p ara que além de
proporcionar o acesso e proximidade dos alunos aos livros e a leitura, que
visem, acima de tudo, incentivar a leitura livre e a autonomia dos alunos como
leitores. Deve-se ter em mente que cada aluno/leitor tem um perfil de leitura
bastante particular, o qual deve ser respeitado e desenvolvido dentro da
escola.
Assim,
um projeto de leitura eficaz deve dar ao aluno/leitor a oportunidade de
escolher seu livro e seu ritmo de leitura. A escola precisa se transformar em
seu todo, tornando-se um ambiente de leitura – uma grande biblioteca em todas
as suas dependências. As atividades propostas devem levar em consideração, o
fato de que a leitura em si só já é uma pratica e não deve ser encarada como um
meio de avaliação. Afinal, segundo os PCNs, “ler por si só já é um trabalho,
não é preciso que a cada texto lido se siga um conjunto de tarefas realizadas”,
e nesse sentido, as atividades de promoção de leitura devem ser desenvolvidas
de maneira lúdica despertando no aluno/leitor o prazer da leitura.
A ESCOLA E O DESINTERESSE PELA LEITURA
Vivemos
em um mundo dinâmico, que se modifica na velocidade da internet. Cada vez mais
cedo as crianças são expostas a informação escrita por meio da internet e TV.
Nestes veículos desde a tenra idade as crianças atuam como agentes ativos no
processo de construção da leitura. No entanto, mesmo oriundos de uma geração
imersa na leitura, percebemos um interesse cada vez menor pela leitura. Tal
falta de interesse reflete diretamente no rendimento escolar. Sem a fruição
leitora acentuam-se os problemas de aprendizagem e fracasso escolar tornar-se
quase que inevitável.
A
escola vem tentando a todo custo reverter esta falta de interesse dos alunos
pela leitura. Mas basta propormos um projeto, ou uma simples atividade, de
leitura aos nossos alunos para identificarmos o grau de resistência por parte
destes. Ao questioná-los então, sobre o ato de ler percebemos que a grande
maioria dos jovens e adolescentes não gosta de ler principalmente, no se tratando
da leitura oferecida na esfera escolar. Nesse contexto, a escola luta contra
uma aversão que ela mesma gerou nos alunos através da pratica de leitura por
obrigação, mecânica e muitas vezes sem sentido.
É
bastante frequente no contexto escolar, o professor apresentar uma lista de
livros escolhidos por ele mesmo ou então retirada dos manuais didáticos e
obrigá-los a ler um livro desta lista. Muitas vezes sem qualquer mediação do
professor e, principalmente sem respeitar o perfil e o gosto do aluno como
leitor, o professor acaba traumatizando o jovem leitor com uma leitura vazia
que não o leva a compreensão. Tal incompreensão ignora o fato de que a leitura
além de ser fonte de conhecimento, deve proporcionar prazer ao leitor.
Assim,
imerso em um mundo de leituras incompreensíveis onde lê simplesmente para ser
avaliado por meio de fichas, questionários ou resumos; o aluno acaba cada vez
se afastando mais dos livros, os quais passam a ser considerados como um
tortuoso castigo. A indagação então é como fazer para que os alunos, leitores
em formação, descubram o universo da leitura de forma prazerosa e sem o peso da
imposição ou o rigor da atribuição de notas?
O DESPERTAR DA LEITURA NA ESCOLA
A leitura deve ser considerada como uma prática cultural
básica que condiciona a integração escolar, social e profissional de todos os
integrantes da escola influenciando desse modo para o exercício da cidadania. Dessa
forma, faz-se necessário que a escola incentive o valor da leitura despertando
nos alunos o gosto pelo ato de ler.
Vale lembrar, que os próprios Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs) já determinam que a escola precisa “organizar-se em torno de
uma política de formação leitora”. Esta organização deve ser pensada de forma
lúdica, para que desperte o interesse dos alunos de forma que estes venham
sentir a necessidade de ler.
Afinal, nada é melhor do que aprender brincando.
Vygotsky já postulava que o jogo e a brincadeira são eficazes para criar um
ambiente de aprendizagem de conhecimentos e valores. Vindo ao encontro da teoria de Vygotsky, a
professora e linguista Angela Kleiman (2002), afirma que para formarmos alunos
leitores precisamos primeiramente “seduzi-los com atividades atraentes” de
forma a cativá-los e a desafiá-los.
Assim, a leitura não deve ser encarada como uma pratica
isolada e silenciosa destinada a ambientes fechados e até certo ponto mórbidos.
A leitura é ação. A leitura é dinamicidade. A leitura é principalmente
colaboração. Afinal o próprio ato de ler já é colaborativo uma vez que o escritor
conta com a “colaboração” do leitor na construção do significado do texto.
CONCLUSÃO
É
preciso desfazer o mito de que a leitura só é possível dentro de um templo
sagrado, onde não se ri não se brinca não se fala. Um projeto de incentivo a
leitura e a literatura deve apresentar o seu objeto – o livro – de forma
atrativa e desafiadora para os leitores em formação. Os adolescentes precisam
ser mediados no caminho de leitura e o professor tem um papel fundamental nesse
percurso, não como alguém que prescreve livros, mas alguém que acompanha que conduz
que apoia o aluno até o ponto em que este possa seguir por si só o seu caminho.
A
leitura é uma importante porta para a autonomia de nossos alunos e por isso não
podemos deixar que a sua escolarização literária freasse o poder libertador da
leitura. A escola deve ser um polo de leitura e discussão, onde a leitura flua
livremente significando e sendo significada, para isso as aulas de literatura e
a escola como um todo, devem deixar de lado a visão redutora de leitura
centralizada na historiografia literária e na analise de obras.
A
literatura como projeto passa necessariamente pela fruição literária, o que só
acontece se os leitores desde pequenos sejam inseridos no mundo da leitura. As
crianças precisam ser expostas a leitura, manusear livros, ouvir histórias... Não
adianta incluir a literatura nos últimos três anos da educação básica (Ensino
Médio) e obrigar os vestibulandos a ler os livros canônicos da nossa literatura
se na infância eles não foram despertados para a leitura.
Enfim,
enquanto a literatura é banida do ensino fundamental, o momento mais propicio
para cativar os alunos a ler, no ensino médio a literatura é imposta de “goela
a baixo” de forma abstrata que acaba afastando cada vez mais os leitores. E
assim, para acabarmos com a crise da literatura é preciso que a escola se
organize para fazer com que a leitura não seja apenas um discurso, mas uma
realidade pulsante dentro da escola e que esta seja um biblioteca em sua
completude.
REFERÊNCIAS
Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos
parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília: MEC / SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf
Acessado em: 02/12/2013.
KLIIMAN, Angela. Oficina
de leitura: teoria e prática. 9ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2002.
RAMOS, Tânia Regina Oliveira. Literatura e Ensino I:9°período/Tânia Regina Oliveira Ramos, Gizelle
Kaminski Corso -
Florianópolis: UFSC/CCE/LLV, 2013.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS NA LITERATURA PORTUGUESA
Por Elizeu Tomasi
A
Revolução dos Cravos (1974) representou para Portugal bem mais que a perda de
poder sobre suas colônias, mas também provocou o “despertar literário”
português. O povo que até então fora calado pela repressão fascista vivia agora
a expectativa de ver uma Portugal que entrasse de fato para o contexto da
modernidade europeia da época. E esse “despertar” com toda a certeza não
aconteceria de maneira simples, ao acordar e se deparar com uma realidade
totalmente diferente do colonialismo, Portugal entra em uma crise de identidade
e cultural que o obrigava a refletir sobre “quem era na ordem do dia”.
Neste contexto, como principal nome
pós-moderno (re) surge o escritor português do Ribatejo José Saramago como um
reformulador. Em sua metaficção historiográfica Saramago buscou na história a
base para entender o então contexto social em que Portugal vivia, mostrando a
história portuguesa, mas centrando na individualidade dos personagens como
elemento modificador capaz de criar um novo passado para Portugal. Outro nome
bastante importante deste período é, sem dúvida nenhuma, Antonio Lobo Antunes
que traz para a literatura as experiências de guerra em uma tentativa de
“maquiar” o fracasso português e amenizar os traumas – coletivos e individuais
– vividos na Guerra de Independência Colonial Portuguesa.
Ambos os escritores além de
abordarem a criação de um novo imaginário português que fosse além das
colônias, reformularam também aspectos formais da literatura. Saramago resgata
a discussão linguagem/realidade mostrando que a linguagem tenta corresponder à
ideia das coisas e jamais poderá fazer algo que não seja a sua essência. O
escritor reconhece ainda a dialocidade da linguagem já que está existe com a
intenção de comunicar. Saramago e Lobo lançam mão ainda de uma linguagem
bastante distinta, fazendo uso de pontuação própria e de uma narrativa
fragmentada e hibrida permitindo o diálogo entre gêneros diferentes e uma
intertextualidade amplamente enriquecedora para o texto.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
LITERATURA SE DIVIDE?
Por Elizeu Domingos Tomasi
O
desenvolvimento leitor é um caminho criado e percorrido de maneira individual,
respeitando o desenvolvimento pessoa do leitor e seu contato com o mundo dos
livros. Que profissional teria condições de separar a literatura por faixa
etária em literatura infantil, infantojuvenil ou adulta? Quem é capaz de dizer
que um adulto está preparado para ler um tipo “x” de literatura, enquanto um
adolescente deveria ler um tipo “y”? E
se o leitor adulto não se sentir preparado para ler “Dom Casmurro”? E se “Os Três
Porquinhos” já não satisfizer uma criança de sete anos? Estariam os
leitores presos a idade?
Coelho (2000) afirma que a
literatura infantil, assim como a literatura infantojuvenil, é apenas mais uma
“face” da literatura. Seria, segundo o autor, como se a literatura se
manifestasse de diferentes formas, a fim de atingir seu publico e seduzi-lo, o
que de forma alguma quer dizer que ela se destine única e exclusivamente a uma
faixa de idade. A literatura se manifesta de diferentes formas, mas se deixa
seduzir por qualquer leitor seja ele criança, adolescente, jovem, adulto ou
idoso. Assim o autor concorda com Ana Maria Machado (1999), que afirma que não
importa se é infantil, infantojuvenil, adulta, o que importa é a literatura em sim
própria.
A dita literatura infantojuvenil por não ter suas fronteiras definidas
vive uma espécie de “conflito de identidade”. Enquanto a literatura destinada
às crianças faz mais uso das imagens e figuras, e a literatura destinada a
jovens dedica-se a linguagem verbal. A infantojuvenil
percorre este vasto e complexo espaço entre infância e juventude. Responsável
pela inserção dos pré-adolescentes e adolescentes no mundo da leitura, a
literatura infantojuvenil tenta mesclar o texto verbal, com o visual a fim de
seduzir e chamar o leitor em formação para a literatura. E este “conflito de
identidade” se explica principalmente pelo fato do “público” dessa literatura
ser bastante escorregadio.
No entanto, não podemos nos prender
aos limites de idade para a definição de literatura infantojuvenil. Com a crise
leitora em que se encontra o Brasil hoje, vemos muitos adultos sem contato com
a literatura e está falta de familiaridade com os livros os colocam na
categoria de leitores em formação, fazendo com que estes livros mais atrativos,
com imagens, cores e formas sejam mais adequados. Desta forma o mais adequado é
definir a literatura infantojuvenil como o “convite
a literatura”, não para leitores desta ou daquela faixa etária, mais para
todos os leitores. A literatura infantojuvenil vem a ser assim, uma forma
apresentação da literatura em si, mais atraente e sedutora com a missão de
atrair leitores (seja qual foi sua idade) e ser porta de entrada destes ao
mundo mágico das histórias.
Nesse sentido, é preciso reconhecer
que os leitores não escolhem seus livros levando em consideração sua idade, mas
sim em virtude de vários outros fatores, como interesse, gênero, influencia da mídia,
de amigos e do professor e também levando em conta a própria apresentação
material disponível: capa, ilustração; a estética do livro em si. Assim, a
escola ou biblioteca podem fazer a classificação de livros, como a proposta
pela crítica literária, professora e ensaísta Nelly Novaes Coelho, mas jamais
devem levá-la a risca impedindo que o aluno-leitor leve um livro fora da
classificação apresentada.
Como exposto anteriormente, “o
desenvolvimento leitor de uma pessoa é um caminho criado e percorrido de
maneira individual, respeitando o desenvolvimento pessoal do leitor e seu
contato com o mundo dos livros”, assim cabe à escola e principalmente ao
professor apresentar uma variedade de opções de livros aos alunos, despertando
assim a curiosidade pela leitura além de sua idade. O aluno-leitor deve ter a
liberdade para chegar a uma estante e escolher o livro de maneira democrática
sem a imposição do professor/adulto, este, deve atuar como um mediador e não
como um detentor do que se pode ou não ler.
Enfim, bem mais que a idade do
aluno-leitor, é necessária levar em conta a sua experiência com a leitura. Se o
aluno-leitor tem nove anos e já sê acha na condição de ler um livro maior,
porque obrigá-lo a ler algo que não mais corresponde a sua necessidade e
expectativa? E da mesma forma, porque impedir alguém de ler algo menor se ele,
ainda não se vê capaz de ler outra coisa? Tais imposições fazem com que os
alunos-leitores se desmotivem em ler, principalmente na escola, pois acabam
sendo obrigados a ler algo que corresponde a sua realidade como leitores.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
GAIBÉUS E A LUTA DE CLASSES
Por Elizeu Tomasi
O
movimento Neorrealista português surgiu como “um grito dos excluídos e
alienados do início do século XX”. Ao enfrentar a concepção anterior de “arte
pela arte”, os artistas neorrealistas buscaram denunciar os problemas sociais e
a luta entre as classes dominantes e o proletariado de Portugal nas primeiras
décadas do século XX. Assim, os artistas passam a evidenciar em suas obras a
condição desumanizante em que vivia a população trabalhadora portuguesa, vista
como simples máquinas geradoras de produtos e capital para os patrões. Ao
denunciar a exploração da mão de obra, os neorrealistas buscavam “abrir os
olhos” dos trabalhadores, afim de que estes lutassem contra a situação de
alienação em que viviam.
Nesse
contexto de luta contra as mazelas sociais portuguesas do século XX destaca-se
o escritor Alves Redol como um dos principais nomes do neorrealismo português.
Redol teve sua vida marcada pelas péssimas condições de vida de sua família, o
que marcou fortemente seus escritos no jornal português “O Diabo” e principalmente seu romance de maior evidência, e marco
do neorrealismo, Gaibéus, publicado
em 1936 o qual o autor considerou não um romance, mas um “documentário humano”.
Em
Gaibéus, Alves de Redol evidencia a
luta entre a camada desprestigiada da população, os trabalhadores rurais de
Ribatejo que trabalham na colheita do arroz, e a camada dominante representada
pelo patrão. O romance Gaibéus
destaca claramente a situação de opressão e desumanização em que vivem os
trabalhadores que servem apenas para gerar lucro aos patrões, como pode ser
visto no trecho a seguir: “Todos liam
pela mesma cartilha e os ranchos ficavam entregues às combinações dos feitores”
(REDOL, p. 30).
Afastando-se
da característica típica dos romances que têm sua centralidade em um personagem
individualizado e na existência de um herói, na narrativa de Redol, destaca-se
a coletividade, se há um herói protagonista em Gaibéus, este é o coletivo formado pela classe dos ceifeiros de
Ribatejo. As personagens não representam a si mesmas de forma individual, mas
uma realidade comum a todos os indivíduos da classe. Esta situação fica nítida
no trecho em que o patrão escolhe Maria Rosa para trabalhar em sua casa: “Os olhos vagueavam pelo rancho, saltitando
de mulher em mulher. Chegara à feira, podia escolhar”. (REDOL, p.99) Fica
claro na passagem que, a escolhida poderia ser qualquer outra mulher e não
exclusivamente Maria Rosa, está, representa a realidade de exploração compartilhada
por todas as mulheres trabalhadoras na colheita do arroz.
No
mundo alienado pelo capitalismo do século XX (e ainda no XXI!), o trabalhador
só tem valor enquanto está produzindo e gerando renda ao seu patrão. Quando o
trabalhador não mais produz é descartado sem a menor dignidade e substituído
por outro que possa responder as expectativas patronais. Em Gaibéus, Ti Maria do Rosário representa
o destino compartilhado por todos os trabalhadores de Ribatejo (e também de
muitos trabalhadores da atualidade!) “Ti
Maria do Rosário estatela-se no canteiro [...] Fica, porém, com a foice bem
segura nas mãos descarnada” (REDOL, p.90).
O
neorrealismo pretendia de fato levar os leitores, a população, à
conscientização de que os trabalhadores deveriam se unir para lutar contra a
alienação de sua força de trabalho. E para representar esta força Alves Redol
coloca em meio ao coletivo alienado, o trabalhador rebelde que reconhece a
situação desumana em que os trabalhadores vivem. O ceifeiro rebelde tem
consciência da injusta distribuição de renda, onde a maior parte do que produz
fica com o patrão e o que recebem não permitem comprar o que produzem: “Ele [o ceifeiro rebelde] tem um norte. E os camaradas ainda não
encontraram a bússola.” (REDOL, p.87). A presença dessa personagem fora da
coletividade vem representar a necessidade de alguém se opor ao sistema de
alienação e conscientizar os demais da necessidade combater o circulo de
opressão em que vivem.
Assim,
destacando a realidade social e as condições subumanas em que viviam os
gaibéus, o romance/documentário de Alves Redol figurou-se como obra de
referência do neorrealismo português. É evidente na obra a intenção do autor de
conscientizar o leitor da desumanização que os trabalhadores rurais viviam nas
lavouras de arroz. Nesse intento, o autor reproduz a luta de classes entre os
trabalhadores (oprimidos) e patrões (opressores). A mensagem de Alves Redol é
em si mesma a mensagem e a ideologia do neorrealismo pela qual, a classe
trabalhadora só poderia sair vencedora, se unida para vencer sua alienação; o
que de fato não ocorre em Gaibéus muito
menos na vida real.
REFERÊNCIAS
OLIVEIRA, Susan Aparecida de; SANTOS, Izabel Cristina das Rosas
Gomes dos. Literatura Portuguesa III, 9° período
UFSC/CCE/LLV, Florianópolis, 2013.
REDOL, Alves. Gaibéus, disponível em http://pt.scribd.com/doc/53189956/Redol-Alves-gaibeus,
acesso em 19 de novembro de 2013.
PASSEIWEB.
Gaibéus, de Alves Redol disponível em http://www.passeiweb.com/estudos/livros/gaibeus,
acesso dia 23 de novembro de
2013.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
NOITE CULTURA ALCIDES BUSS
Por Elizeu Tomasi
Visando promover o incentivo a leitura e
a escrita a Escola de Educação Básica Irmã Irene recebeu o escritor catarinense
Alcides Buss na abertura da I Mostra Cultural e Científica em uma agradável
noite de poesia e dança.
O escritor Alcides
Buss um
dos mais criativos e ativos poetas catarinenses. Autor de uma lírica reflexiva,
humanista, inquieto e hábil carregada de potencial em cada palavra, Alcides
Buss é poeta em tudo que se dedica seja como ensaísta ou como professor de
Teoria Literária. A obra Janela para o
mar foi amplamente lida pelos alunos da escola e a partir dela fizeram
releituras que na noite do dia 23 foram expostas a toda a comunidade e para o
autor.
Fazendo uma ponte entre a
cultura litorânea de Florianópolis apresentada nos versos de Alcides Buss e a
cultura serrana de Santa Cecília, foram recitadas poesias de Buss e poesias
compostas pelos alunos da EEB Irmã Irene sobre a região serrana. A noite foi
abrilhantada por danças apresentadas por alunos e pelos grupos de dança:
Coração Serrano e Tradição Campeira.
Ao final do evento, Alcides
Buss concedeu entrevista aos alunos do Ensino Médio Inovador Pedro Henrique
Bonatto e Ana Luiza Margotti, onde falou de sua experiência como escritor, como
a poesia entrou em sua vida e da importância da leitura. Buss, ainda revelou a
sua antiga ligação com a nossa cidade, uma vez que seu pai foi quem colocou as
janelas da Igreja Matriz de Santa Cecília quando o escritor era ainda criança.
Em seguida o homenageado da noite visitou a exposição das releituras dos poemas do livro Janela para o Mar, feitos pelos alunos
do Ensino Fundamental e Médio da EEB Irmã Irene.
A Mostra Cultural e Científica
da EEB Irmã Irene continuou durante todo o dia 24 de setembro quando a
comunidade ceciliense teve a oportunidade apreciar as produções textuais e os
projetos científicos desenvolvidos pelos alunos durante o ano, os quais
representaram a escola na Feira Regional de Curitibanos. Também aconteceu durante todo o segundo dia
da mostra a visitação do Planetário Móvel, trazido da cidade de São Paulo especialmente
para o evento deste ano. No auditório da escola aconteceu contação de história
com o grupo de Contadores de Histórias de São Cristovão do Sul – CHISC. No
refeitório a realização da Feira do Livro com a livraria Point Gospel, com uma
diversidade de livros sendo vendidos aos alunos e a comunidade. O curso de Engenharia Mecatrônica da
Universidade do Contestado – UnC também
se fez presente com demonstrações de robôs.
Enfim a Mostra Cultural e
Científica da Escola de Educação Básica Irmã Irene 2013 uniu dois eventos
bastante tradicionais da escola, o Chá com Poesia e a Mostra do Conhecimento e possibilitou
uma verdadeira troca de conhecimentos entre os alunos da escola e a comunidade
em geral, que pode conferir um pouco do que é produzido pelos alunos da escola
juntamente com seus professores em sala de aula.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
COMÉDIA E TRAGÉDIA: DUAS CARAS DA MESMA MOEDA
Por Elizeu Domingos Tomasi
Vindas da mesma essência dramática,
comédia e tragédia são irmãs que tiveram focos distintos em suas preocupações.
Assim pensava Aristóteles ao entender ambas as ações dramáticas: comédia e
tragédia; como imitações dos homens, sendo esta imitação de homens superiores,
e aquela a imitação de homens inferiores. Nesse sentindo compreendemos a
preocupação da comédia em despertar o riso através do ridículo e do banal da
vida, enquanto a tragédia tenciona despertar o terror e a piedade das ações
humanas proporcionando assim uma fuga da realidade.
Nas
tragédias, era abordada a sorte dos homens que não seguiram as vontades e
divinas e por isso arcavam com duras consequências funcionando como uma forma
de a plateia refletir sobre seus atos. Já as comédias satirizavam as vivencias
sociais, políticas, econômicas e religiosas dos antigos fazendo o público rir
pela baderna e intrigas urbanas. A Comédia é exterior e momentânea enquanto a
tragédia busca reproduzir o interior, o humano e a sua eternização, e em
virtude disso, a tragédia é mais complexa e conflituosa que a comédia,
concentrando-se não na ação, mas nos diálogos e no enredo representado.
Por estas razões,
considerava-se a tragédia superior à comédia, mas jamais dois gêneros antagônicos.
Comédia e tragédia são sim, digamos faces distintas de uma mesma moeda que é a
poesia dramática. Ou uma ou outra, mas sem deixar de ser a mesma coisa:
“imitação dos homens”.
Assinar:
Postagens (Atom)









