segunda-feira, 25 de novembro de 2013

NOITE CULTURA ALCIDES BUSS


Por Elizeu Tomasi

Visando promover o incentivo a leitura e a escrita a Escola de Educação Básica Irmã Irene recebeu o escritor catarinense Alcides Buss na abertura da I Mostra Cultural e Científica em uma agradável noite de poesia e dança.

O escritor Alcides Buss um dos mais criativos e ativos poetas catarinenses. Autor de uma lírica reflexiva, humanista, inquieto e hábil carregada de potencial em cada palavra, Alcides Buss é poeta em tudo que se dedica seja como ensaísta ou como professor de Teoria Literária. A obra Janela para o mar foi amplamente lida pelos alunos da escola e a partir dela fizeram releituras que na noite do dia 23 foram expostas a toda a comunidade e para o autor.

Fazendo uma ponte entre a cultura litorânea de Florianópolis apresentada nos versos de Alcides Buss e a cultura serrana de Santa Cecília, foram recitadas poesias de Buss e poesias compostas pelos alunos da EEB Irmã Irene sobre a região serrana. A noite foi abrilhantada por danças apresentadas por alunos e pelos grupos de dança: Coração Serrano e Tradição Campeira.

Ao final do evento, Alcides Buss concedeu entrevista aos alunos do Ensino Médio Inovador Pedro Henrique Bonatto e Ana Luiza Margotti, onde falou de sua experiência como escritor, como a poesia entrou em sua vida e da importância da leitura. Buss, ainda revelou a sua antiga ligação com a nossa cidade, uma vez que seu pai foi quem colocou as janelas da Igreja Matriz de Santa Cecília quando o escritor era ainda criança. Em seguida o homenageado da noite visitou a exposição  das releituras dos poemas do livro Janela para o Mar, feitos pelos alunos do Ensino Fundamental e Médio da EEB Irmã Irene.

A Mostra Cultural e Científica da EEB Irmã Irene continuou durante todo o dia 24 de setembro quando a comunidade ceciliense teve a oportunidade apreciar as produções textuais e os projetos científicos desenvolvidos pelos alunos durante o ano, os quais representaram a escola na Feira Regional de Curitibanos.  Também aconteceu durante todo o segundo dia da mostra a visitação do Planetário Móvel, trazido da cidade de São Paulo especialmente para o evento deste ano. No auditório da escola aconteceu contação de história com o grupo de Contadores de Histórias de São Cristovão do Sul – CHISC. No refeitório a realização da Feira do Livro com a livraria Point Gospel, com uma diversidade de livros sendo vendidos aos alunos e a comunidade.  O curso de Engenharia Mecatrônica da Universidade do Contestado – UnC  também se fez presente com demonstrações de robôs.

Enfim a Mostra Cultural e Científica da Escola de Educação Básica Irmã Irene 2013 uniu dois eventos bastante tradicionais da escola, o Chá com Poesia e a Mostra do Conhecimento e possibilitou uma verdadeira troca de conhecimentos entre os alunos da escola e a comunidade em geral, que pode conferir um pouco do que é produzido pelos alunos da escola juntamente com seus professores em sala de aula.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

COMÉDIA E TRAGÉDIA: DUAS CARAS DA MESMA MOEDA


Por Elizeu Domingos Tomasi

          Vindas da mesma essência dramática, comédia e tragédia são irmãs que tiveram focos distintos em suas preocupações. Assim pensava Aristóteles ao entender ambas as ações dramáticas: comédia e tragédia; como imitações dos homens, sendo esta imitação de homens superiores, e aquela a imitação de homens inferiores. Nesse sentindo compreendemos a preocupação da comédia em despertar o riso através do ridículo e do banal da vida, enquanto a tragédia tenciona despertar o terror e a piedade das ações humanas proporcionando assim uma fuga da realidade.
            Nas tragédias, era abordada a sorte dos homens que não seguiram as vontades e divinas e por isso arcavam com duras consequências funcionando como uma forma de a plateia refletir sobre seus atos. Já as comédias satirizavam as vivencias sociais, políticas, econômicas e religiosas dos antigos fazendo o público rir pela baderna e intrigas urbanas. A Comédia é exterior e momentânea enquanto a tragédia busca reproduzir o interior, o humano e a sua eternização, e em virtude disso, a tragédia é mais complexa e conflituosa que a comédia, concentrando-se não na ação, mas nos diálogos e no enredo representado.

Por estas razões, considerava-se a tragédia superior à comédia, mas jamais dois gêneros antagônicos. Comédia e tragédia são sim, digamos faces distintas de uma mesma moeda que é a poesia dramática. Ou uma ou outra, mas sem deixar de ser a mesma coisa: “imitação dos homens”.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A - MAR


A - MAR
Tão vasto
Tão misterioso
Tão complexo
Tão lindo
Tão envolvente
Tão...
mar.



Por Elizeu Tomasi

sábado, 9 de novembro de 2013

ULTIMATUM PORTUGUÊS NAS OBRAS DE FERNANDO PESSOA E ALMADA NEGREIROS

 
Por Elizeu Tomasi

A começar pela manutenção – um tanto irônica – da expressão ultimatum em seus títulos, em uma explicita referência ao embargo que Portugal sofrera pela Inglaterra em 1890 e que ferira profundamente o brio português ainda saudoso das conquistas ultramarinas de séculos anteriores. As duas obras em questão Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do século XX, do escritor português Almada Negreiros, e poema Ultimatum, do heterônimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, são em sua totalidade um manifesto explicito contra Portugal do início do século XX e que expressam a necessidade de se (re)pensar a identidade portuguesa como uma nação em uma Europa que se modernizava e pensava no futuro.
Com uma intenção política além da literária, os textos de Almada Negreiros e Álvaro de Campos tem um tom de discurso político. Percebemos que o narrador fala diretamente ao público de forma imperialista gritando palavras de ordem, em expressões como “Fora tu...” do poema de Álvaro de Campos notamos de certa forma o grito de revolta do autor, que assim como um manifestante toma as ruas e exige uma mudança de postura da sociedade portuguesa.
A humilhante perda dos territórios portugueses na África a favor dos ingleses fez com que Fernando Pessoa e Almada Negreiros se manifestassem por meio da literatura a fim de protestarem contra a decadência portuguesa no contexto europeu e mundial. Nas obras lidas, fica evidente o tom argumentativo das palavras tentando convencer o leitor/ouvinte de que o passado glorioso de Portugal deve ser deixado de lado um pouco em busca da criação de uma pátria verdadeira moderna e contextualizada com o então momento histórico-social. Nesse sentido, afirma Almada Negreiros em Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do século XX “Porque o sentimento-síntese do povo português é a saudade e a saudade é uma nostalgia mórbida dos temperamentos esgotados e doentes”.
Os textos de Pessoa e de Negreiros abordam claramente a questão política e social de Portugal e a certo ponto dão um Ultimatum aos portugueses da época anunciando a necessidade de mudanças e de se adequar ao novo mundo em que viviam. A literatura e o escritor neste sentido tomam a linha de frente da batalha divulgando os ideais de modernidade para este “novo mundo”. Assim, coube à literatura e aos artistas modernistas traduzir aos portugueses do século XX a nova realidade em que viviam e recuperando para isso o presente português a identidade nacional.

LITERATURA (EN) SINA


Por Elizeu Tomasi

             Vivemos hoje em uma sociedade amplamente tecnicista, onde o que realmente importa é aquilo que tem uma “utilidade” majoritariamente reconhecida. Nesse sentido, considera-se que somente é pertinente estudar aquilo que traga benefícios materiais para a sociedade. Assim, a literatura tem um espaço periférico dentro da escola, uma vez que, na maioria das vezes ela é vista como algo sem significado direto na obtenção de conhecimento. E em virtude dessa posição desprestigiada professores e alunos realmente têm uma concepção redutora da literatura.
            Muitas vezes a finalidade da literatura dentro da escola é de introduzir uma temática, é o chamariz para algo a ser trabalhado por outras ciências. Essa condição reduz a literatura à condição de uma disciplina dependente de outras: língua portuguesa, sociologia, filosofia, arte... Até mesmo dentro da disciplina de Língua Portuguesa a literatura é marginalizada. Não raras as vezes a abordagem do texto literário se restringe ao “pretexto” para a analise linguística, para interpretação e para a produção  de texto onde pouco é explorado como objeto artístico que reflete e ao mesmo tempo influencia a sociedade que o compôs.
            Mas talvez seja nas aulas de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Médio onde fica mais evidente a concepção redutora da Literatura. Baseando-se muitas vezes exclusivamente no livro didático, o professor detém-se a historiografia literária deixando de lado o texto e a leitura como objeto da literatura. Na maioria das vezes as obras literárias são simplesmente citadas nas aulas de literatura que se resumem a descrição do contexto histórico cultural e das características de uma escola literárias sem de fato levar os alunos a compreendê-los a partir da leitura das obras.
            Ainda falando do desmerecimento dado a Literatura na escola, os livro didáticos e muitos professores, reduzem a literatura aos clássicos desfazendo certos gêneros, certos autores e livros que são amplamente lidos pelos alunos. Como se pelo simples fato do autor X não ser mencionado no livro didático, o mesmo não fosse digno de ser lido pelo aluno. E dessa forma consciente ou inconscientemente o professor perpetua uma ideia errônea da literatura onde as únicas obras que prestam - e por assim ser são as que realmente são dignas de serem consideradas pertencentes à literatura -  são os clássicos que por apresentam uma linguagem difícil e inacessível ao aluno que passa então a ter horror a literatura.

            Refletindo essa visão redutora da literatura na escola, as aulas de Literatura baseada nos livros didáticos se resumem a uma “replicação” de teorias criticas a cerca da literatura deixando de lado o que de fato seria importante: o objeto da literatura – as obras literárias. A partir de fragmentos, escolhidos pelo autor do livro, sem levar em conta o aluno e sua realidade, como leitor em formação, o professor repassa aos alunos a análise que o autor tem desses fragmentos. Essa relação acaba por afastar o aluno da leitura literária, uma vez que o mesmo lê/estuda teorias sobre a obra literária e não a obra em si, o que levaria a construir juntamente com o professor suas próprias teorias e analises a cerca da obra lida.

OS ROMANOS EM NÓS


Por Elizeu Tomasi

O Império Romano ruiu a mais de mil e quinhentos anos, mas seus reflexos espalharam-se aos quatro cantos do mundo chegando a influenciar diretamente a nossa sociedade contemporânea. Se olharmos para a religião que professamos,  para estrutura do direito aplicado nos dias de hoje, analisarmos a arquitetura de igrejas e pontes, a organização urbana e o sistema republicano que nos rege; se estudarmos a etimologia e a história da língua portuguesa ou buscarmos os clássicos literários veremos o quanta influencia romana temos em nossa sociedade.
O nosso cotidiano é tão romano quanto é brasileiro.  Alguns costumes que mantemos hoje, os quais dizemos ser tipicamente, já se manifestavam no seio do Império Romano antes mesmo do nascimento de Cristo. Grande parte das superstições e crendices do povo brasileiro, já eram presentes na Roma antiga. A figa, por exemplo, já era usada como símbolo de boa sorte na época do império. Saindo do misticismo, para a segurança o equipamento utilizado pelas tropas da Polícia Militar hoje, são quase as mesmas dos equipamentos dos soldados romanos: capacete, escudo, bastão.

Na área de diversão e entretenimento, assim como todo o brasileiro os romanos eram fascinados por água a ponto de criar os balneários,que faziam às vezes de nossos termas e praias.  Ainda na praia, a imagem de mulheres desfilando biquines nos parece bem brasileiro, no entanto já era bastante comum  ver as romanas nesses trajes na época do império. Ainda a ideia do “pão e circo” continua presente em nossa sociedade, uma vez que, o povo brasileiro contenta-se apenas com o essencial para a sua sobrevivência, garantido pelos programas assistencialistas; e com o futebol e carnaval como entretenimento – não seriam os estádios de futebol os Coliseus da nossa sociedade, e os times e torcidas organizadas verdadeiros gladiadores a se enfrentarem para divertir o público?

Texto Escrito para a disciplina de Literatura Latina, curso de Letras - Português - UFSC